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Protestos tomam as ruas de países europeus neste sábado; entenda as reivindicações

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Uma onda de protestos mobilizou milhares de pessoas em cidades de diferentes países europeus neste sábado, 24. Na França, na Itália, na Espanha, em Portugal, na Bélgica e na Albânia, manifestantes foram às ruas para cobrar melhorias nos serviços públicos, sobretudo na educação, e denunciar o aumento do custo de vida. Embora tenham pautas distintas, as mobilizações que têm levado europeus às ruas nas últimas semanas refletem o descontentamento com as condições econômicas e as decisões dos governos locais, e evidenciam a amplitude das tensões sociais no continente.

Na França, participaram de manifestações neste sábado entre 410 e 800 mil pessoas – as autoridades e os sindicatos diferem -, com pelo menos 110 mil delas em Paris. Os movimentos tiveram início há cerca de um mês, quando estudantes do ensino médio foram às ruas. Parte dos protestos é motivada pela falta de investimentos na educação pública e pelo aumento do custo de vida. O acirramento das manifestações ocorre na reta final do mandato do presidente Emmanuel Macron, em um momento em que sua aprovação atinge os níveis mais baixos desde 2017. A mobilização também inclui atos contra o partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, que realiza seu congresso na cidade de Orléans.

Para conter possíveis episódios de violência, saques e depredações como os registrados no sábado passado, as autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais e agentes de segurança em diferentes cidades francesas. Museus emblemáticos fecharam as portas e comerciantes protegeram suas vitrines. Segundo a AFP, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que quase 1.000 pessoas foram detidas nos protestos de hoje, e acrescentou que esse número pode aumentar.

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Na Itália, manifestações foram convocadas em diversas cidades, entre elas Milão, Roma, Turim e Bolonha. Os participantes protestam contra o encarecimento da vida, a atuação do governo e a falta de recursos para a educação. As autoridades reforçaram o policiamento após os episódios de violência e vandalismo registrados na semana passada. Em Roma, cerca de 1.500 agentes foram mobilizados, enquanto Milão conta com aproximadamente 1.800 policiais e militares, de acordo com a Euronews. Em Turim, houve tumulto e a polícia usou cassetetes e escudos para repelir manifestantes. Segundo o The Guardian, a polícia italiana informou que nove pessoas foram presas e 371 detidas temporariamente durante protestos em oito cidades – cerca de 110 delas eram menores de idade.

Na Espanha, milhares de pessoas marcharam por Madri em defesa do sistema público de aposentadorias – 25.000 manifestantes, segundo uma estimativa comunicada pela Delegação do Governo em Madri à AFP. Os manifestantes reivindicam reajustes dos benefícios de acordo com a inflação e temem possíveis reformas no sistema previdenciário que ameacem a privatização das pensões – a um mês das eleições legislativas. A crise habitacional e a especulação imobiliária também motivam os protestos.

A questão habitacional também mobilizou os manifestantes em Portugal, os atos em cidades como Lisboa e Porto. Os portugueses cobram medidas para conter os preços dos aluguéis, ampliar a oferta de moradias públicas e restringir a atuação de fundos de investimento no mercado imobiliário. Uma das principais bandeiras é pela reversão da lei do arrendamento – cuja proposta de reforma foi aprovada em outubro e prevê a aceleração dos despejos, dentre outras regras.

Na Bélgica, centenas de manifestantes, em sua maioria jovens, reuniram-se em Bruxelas para exigir mais investimentos na educação e acusar a polícia de violência excessiva. Houve confrontos com as forças de segurança, que utilizaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Segundo a Reuters, policiais também foram vistos agredindo um manifestante com socos e pontapés durante uma perseguição. Ainda segundo a agência de notícias, a polícia de Bruxelas afirmou em comunicado no final da tarde que não ocorreram incidentes graves e informação a detenção temporária de cinco pessoas por perturbação da ordem pública e outras quatro por posse de armas proibidas e por incitação à violência.

Já na Albânia, estudantes e outros manifestantes voltaram às ruas da capital, Tirana, em atos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama, no poder desde 2013. As reivindicações incluem mudanças na política educacional, combate à corrupção e melhora das condições de vida. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar manifestantes, em meio a uma sequência de protestos que já havia provocado confrontos e danos a prédios públicos. As autoridades afirmam que 2.500 policiais foram enviados às ruas neste sábado.