O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou réu, nesta quarta-feira (30), o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, pela morte da esposa, a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
A decisão, proferida pela 3ª Vara de Embu das Artes, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público, no último dia 26, e converteu a prisão do PM em preventiva.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, o processo tramita sob segredo.
Larissa foi encontrada morta no banheiro do apartamento do casal em 6 de setembro, com um tiro na cabeça. Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita após o policial afirmar que a esposa havia cometido suicídio.
Os exames realizados pelo IML (Instituto Médico-Legal) e pelo Instituto de Criminalística, porém, apontaram inconsistências na dinâmica relatada pelo policial.
De acordo com os laudos, a trajetória do projétil no crânio de Larissa foi descrita como “de trás para frente e da esquerda para a direita”.
O exame necroscópico também identificou pelo menos 16 equimoses, marcas semelhantes a hematomas, espalhadas pelas mãos, pés, joelhos e pela perna esquerda da vítima.
Policial apresentou versão sobre a morte
Segundo o boletim de ocorrência, Vinicius afirmou que chegou em casa por volta das 6h e discutiu com a esposa sobre o fim do relacionamento antes de ir dormir.
O policial relatou que acordou após ouvir um disparo e encontrou Larissa caída no banheiro, ao lado do revólver particular calibre .357.
Familiares da técnica em radiologia contestaram desde o início a hipótese de suicídio. Segundo a avó da vítima, Larissa enviou uma mensagem por volta das 9h daquele domingo dizendo que havia terminado o relacionamento com o policial. Ela teria enviado a mensagem cerca de duas horas antes de ser encontrada morta.
Vinicius foi preso temporariamente em 7 de setembro, durante o velório da esposa, e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona Norte de São Paulo.
Durante as investigações, a Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa da irmã do policial, Thamires Costa Mathias. A medida buscou apurar uma possível fraude processual e alteração da cena do crime.
Thamires estava na residência do casal no momento dos fatos, cuidando do filho de dois anos de Vinicius e Larissa. Ela compareceu voluntariamente à delegacia e entregou o celular para análise.
Na época, a defesa de Vinicius, representada pelo advogado Roberto Montanari, negou que o policial tenha cometido o crime e sustentou que Larissa morreu em decorrência de suicídio.
Os advogados afirmam que o policial nunca praticou violência contra a esposa. A defesa também apresentou mensagens e áudios atribuídos à vítima nos quais ela teria relatado sofrimento emocional e pensamentos autodestrutivos em conversas anteriores.
Como o processo corre em segredo de Justiça, os detalhes da denúncia apresentada pelo Ministério Público não foram divulgados.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa de Vinicius para posicionamento sobre a decisão desta quarta. O espaço segue em aberto.





