Um drone russo atingiu em cheio uma importante ponte da capital ucraniana, Kiev, no domingo 5, enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, visitava a cidade. Os bombardeios vieram um dia após Moscou prometer intensificar a ofensiva a Ucrânia, em resposta à recente promessa do presidente Volodymyr Zelensky de aumentar os disparos contra refinarias da Rússia.
Merz foi a Kiev para demonstrar apoio ao governo ucraniano, num contexto em que ataques russos aumentam contra a cidade. Ele anunciou um novo pacote de ajuda de 1,3 bilhão de euros (cerca de R$ 7,64 bilhões) ao governo ucraniano, dos quais 1,1 bilhão (R$ 6,4 bilhões) será destinado à defesa e o restante a reforçar o setor energético da nação, o qual, após os incessantes ataques russos, prevê um inverno difícil para a população.
“A Ucrânia precisa de todo o nosso apoio nas próximas semanas”, disse Merz.
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É a segunda vez em poucos dias que a Ponte Norte é alvo de um ataque. Antes disso, na quinta e na sexta-feira, a Ponte Sul de Kiev foi atingida cinco vezes em menos de 24 horas. No contexto dos ataques a cidades, o chanceler alemão afirmou: “Se a Rússia não for detida, mais cedo ou mais tarde sua máquina de guerra se voltará contra nós.”
Imagens de vídeo do ataque na manhã de domingo registraram o instante em que a Ponte Norte foi atingida. Duas pessoas ficaram feridas, informou o prefeito da cidade, Vitaliy Klitschko.
Autoridades ucranianas afirmaram que os ataques russos à infraestrutura da capital visam civis e são estratégicos, já que Kiev é cortada pelo rio Dnipro: de um lado ficam os escritórios comerciais e as instituições governamentais e o outro, à margem esquerda, é em maior parte residencial. O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, disse que atingiu a Ponte Norte porque a rota seria usada para o transporte de soldados e equipamentos militares.
Caso os ataques às pontes continuem, a capital pretende iniciar a construção de travessias alternativas sobre o Dnipro, declarou o ministro da infraestrutura no domingo.
Troca de ameaças
O Ministério de Defesa da Rússia havia afirmado, no domingo 4, que as forças russas intensificariam os ataques a instalações militares, locais da indústria de defesa e infraestrutura relacionada em Kiev e em outras partes da Ucrânia.
O alerta veio depois de Zelensky dizer à Reuters, em entrevista publicada no sábado 3, que a Ucrânia redobrará os ataques às refinarias de petróleo russas em resposta a uma nova política de ataques aéreos de Moscou, destinada a forçar as pessoas a abandonarem Kiev e outras cidades, mas que não terá como alvo civis.
“Temos que responder de qualquer forma. Com os ataques deles à nossa energia, temos que responder com a energia deles. Primeiro, refinadores de petróleo, etcétera – tudo aquilo que lhes dá dinheiro para esta guerra”, disse Zelensky, em aparente resposta ao presidente americano, Donald Trump, que recentemente solicitou que a Ucrânia deixasse de atacar a infraestrutura petrolífera russa, alegando que isso estava elevando os preços globais de energia.
Merz esteve em Kiev acompanhado da ministra dos Assuntos Econômicos e Energia, Katarina Reiche, apesar dos avisos feitos pela Rússia no sábado de que visitantes estrangeiros na capital ucraniana não estão seguros. Os dois estão consolidando uma importante parceria nas áreas de defesa e indústria, na qual os dois países devem ser beneficiados com o objetivo de fechar um acordo para a produção de drones e mísseis.





