O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça, relator do processo nº 16.662, se manifeste sobre o pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) para suspender o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF (Polícia Federal), e Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial.
A intimação foi realizada na terça-feira, dia 8 de setembro de 2026. Fachin determinou que, após a manifestação de Mendonça, o processo retornasse à Presidência do STF para a análise do pedido feito pela AGU.
O pedido da AGU foi fundamentado na urgência e na alegação de que o afastamento dos dois dirigentes representa uma grave lesão à ordem pública e administrativa.
A Advocacia-Geral argumentou que a decisão de Mendonça violou a prerrogativa do presidente da República, que tem a autoridade de nomear e exonerar ocupantes de cargos de direção da Polícia Federal.
Além disso, a AGU ressaltou que a saída simultânea de Andrei e Leandro poderia comprometer significativamente o funcionamento das atividades de polícia judiciária, resultando em uma possível desorganização institucional dentro da corporação.
Mendonça se defendeu afirmando que decidiu afastar os dois dirigentes com base em indícios de irregularidades na produção de relatórios de inteligência que investigaram sua atuação e suas relações com outras autoridades. Ele também relatou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal pela inteligência da PF durante aproximadamente um mês.
A decisão de afastamento foi recebida com reações controversas, com delegados da PF defendendo que o plenário do STF deve ser o fórum adequado para essa análise, e não apenas a Segunda Turma.
Além das suspensões, Mendonça também mandou que a Corregedoria da Polícia Federal iniciasse investigações penais e administrativas para apurar quem ordenou e elaborou os documentos relacionados ao monitoramento.
Enquanto o pedido da AGU não for analisado por Fachin, os afastamentos permanecem em vigor, resultando em um clima de incerteza e tensão institucional no STF e na PF.
A situação destaca a complexidade das relações entre os poderes, especialmente em momentos de crise. O desfecho desse conflito poderá ter implicações diretas para a estrutura da Polícia Federal e sua autonomia, além de reforçar o debate sobre os limites da atuação da AGU.





