O médico e ex-coordenador da resposta nacional dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19, Anthony Fauci, se recusou nesta sexta-feira (14) a comparecer voluntariamente a uma nova audiência no Senado. Esta negativa surge após ele ser acusado de desacato por se recusar a responder mais de cem perguntas em uma audiência anterior. O foco das perguntas abrange sua gestão e decisões durante a pandemia.
A nova convocação foi solicitada pelo senador republicano Ron Johnson, que preside a Subcomissão Permanente de Investigações do Senado. A investigação busca avaliar a resposta do governo à pandemia, com especial atenção à segurança e eficácia das vacinas contra a Covid-19. A tensão política está palpável, com alegações de que os questionamentos são mais políticos do que factuais.
Na correspondência enviada a Johnson, o advogado de Fauci argumentou que o novo depoimento seria uma tentativa de “assediar ou degradar” Fauci, usando sua figura de forma política. Ele já havia invocado a Quinta Emenda da Constituição, que lhe garante o direito de não se incriminar, durante a audiência anterior.
Essa recusa se intensifica a pressão sobre Fauci, especialmente após sua negativa em julho. Séniores republicanos, como Rand Paul, aprovaram uma resolução para declará-lo em desacato por não teria fornecido respostas válidas. Paul ainda argumenta que Fauci não teria justificativas válidas para permanecer em silêncio, levando a um pedido de investigação ao Departamento de Justiça.
Paul acusa Fauci de enganos relacionados à Covid-19 e às vacinas, enquanto Fauci se defende alegando ser alvo de uma caça às bruxas política. Além disso, procuradores-gerais de vários estados iniciaram investigações paralelas inerentes à atuação de Fauci, questionando se ele teria se beneficiado financeiramente durante seu tempo no alto escalão do governo federal.
Cabe ressaltar que a situação de Fauci reflete uma profunda divisão política nos EUA, onde a resposta à pandemia se tornou um tema central de discussão e contestação.


