Política

Delação de empresário revela esquema envolvendo ‘Dark Horse’

Delação e Homologação

Homologada no dia 9 de setembro de 2026, a delação do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, traz à tona detalhes de um esquema financeiro misterioso vinculado a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do extinto Banco Master. O acordo, que foi aceito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, ocorreu após intensas negociações com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e revela um elaborado mecanismo de movimentação de dinheiro vivo, além de repasses que dizem respeito ao filme “Dark Horse”.

Freixo, que é proprietário da Entre Investimentos, afirmou que de 2020 a 2025, movimentou aproximadamente R$ 1,3 bilhão a pedido de Vorcaro, bem como de seu sócio Augusto Lima e do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. As entregas de dinheiro vivo eram realizadas por meio de malas que, segundo ele, continham entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, direcionadas a Zettel e aos motoristas associados a ambos.

Subscrições de Cotas e o Filme ‘Dark Horse’

Freixo também detalhou que realizou sete transferências a tal fundo Havengate, utilizado para financiar o filme “Dark Horse”, que tem Jim Caviezel interpretando o ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário menciona que as transferências ocorreram entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,333 milhões — o que, na cotação de setembro de 2025, equivale a aproximadamente R$ 62,8 milhões.

Curiosamente, o acordo inicial previa um envio de cerca de US$ 24 milhões até janeiro de 2026, mas o objetivo não foi totalmente atingido. Freixo, em seu depoimento, declarou não ter ciência do uso que foi dado aos valores repassados ao fundo, indicando que as determinações para os pagamentos eram muitas vezes realizadas por Vorcaro antes das datas acordadas.

Investigações e Auditoria

Atualmente, a Polícia Federal investiga a destinação do dinheiro, questionando se a totalidade dos repasses foi realmente utilizada para financiar “Dark Horse” ou se parte do montante foi desviada para outros objetivos, como custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A Go Up, produtora do filme, já anunciou ter auditado suas contas, afirmando que estão em conformidade, mas sem divulgar os documentos que possam comprovar suas alegações. Essa auditoria indicou um custo total de R$ 75 milhões para a produção do filme, que foi respaldada pelo fundo Havengate.

Futuro e Consequências

A situação permanece em análise e a repercussão é grande, especialmente considerando a relação entre os envolvidos e os desdobramentos políticos que podem ocorrer. Com a delação homologada, novas informações podem surgir, lançando luz sobre uma rede de relações financeiras obscuras que promete chocar a opinião pública e influenciar futuras investigações no Brasil.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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