Aumento exponencial de apreensões
Dados da Receita Federal indicam um aumento explosivo nas apreensões de medicamentos emagrecedores na fronteira do Brasil com o Paraguai. No primeiro semestre de 2026, foram apreendidas mais de 76 mil unidades, superando as 24 mil capturas de 2025.
A fronteira entre Brasil e Paraguai, através da Ponte da Amizade que conecta Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, tem longa história como um ponto de contrabando, abrangendo desde cigarros até eletrônicos e agora medicamentos para emagrecimento.
O impacto econômico do contrabando
Com um preço de R$ 340 por ampola de tirzepatida no Paraguai, a diferença de custo em relação ao Mounjaro, que é vendido a partir de R$ 1.400 no Brasil, é um incentivo claro.
Ademais, a venda de produtos paraguaios não é regulamentada pela Anvisa, tornando-os ainda mais atraentes para muitos consumidores.
O auditor fiscal Flávio Bernardino de Carvalho apontou que as apreensões cresceram drasticamente a partir de março de 2025, com um aumento alarmante de 1.136% nas apreensões até dezembro. As apreensões totalizaram R$ 2.796.198,34 naquele ano.
O papel das redes sociais e a fiscalização
A Receita Federal intensificou a fiscalização, incluindo as redes sociais onde propagandas de medicamentos são comuns. Carvalho destacou que o contrabando ocorre por diversos modos, envolvendo desde ônibus de linha até caminhões de empresas de marketplace.
Além disso, não é necessário receita médica para adquirir semaglutida e tirzepatida no Paraguai, e a propaganda desses produtos é visivelmente presente em Ciudad del Este, aquecendo o mercado ilegal no Brasil.
Desafios e inovações no contrabando
Os contrabandistas utilizam métodos criativos para driblar as autoridades, como esconder medicamentos em frascos de shampoo e compartimentos de veículos. Em junho de 2026, a Receita Federal registrou 25.828 apreensões, avaliadas em R$ 4.296.662,15.
A crescente demanda por esses produtos é evidenciada por um relatório da Serasa Experian, indicando um aumento de 149,3% nas solicitações online de medicamentos associados ao GLP-1 entre janeiro e junho de 2026.
Expectativas futuras e implicações legais
Com a potencial quebra da patente da tirzepatida, prevista para ocorrer no futuro, o interesse por medicamentos paraguaios pode diminuir, conforme aconteceu em 2025 com a semaglutida. Atualmente, a venda de medicamentos não autorizados é considerada crime contra a saúde pública, com penas que variam de 10 a 15 anos de reclusão.
Portanto, a luta contra o contrabando de medicamentos continua, exigindo esforços constantes das autoridades para proteger a saúde pública e combater essa prática ilegal.




