Geral

PMs Enfrentam Júri por Atirar em Motoboy Nu e Desarmado

Policiais Militares Acusados

Os policiais militares envolvidos na tentativa de homicídio de um motoboy durante a Operação Escudo no litoral de São Paulo, em 2023, irão a júri popular. A decisão foi divulgada recentemente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Os soldados Daniel Pereira Noda e Carlos Vinicius Batista Bruno, juntamente com o sargento Thiago Freitas da Silva, foram denunciados pelo Ministério Público. A acusação se baseia em disparos feitos a queima-roupa contra Evandro Alves da Silva, que estava desarmado e nu no momento do incidente.

Investigação e Provas

O TJ-SP ressaltou que existem indícios suficientes de autoria, evidenciando a participação dos acusados no crime.

A decisão foi fundamentada por meio de depoimentos da vítima e de testemunhas, além de laudos periciais e gravações das câmeras corporais dos policiais.

A juíza responsável pelo caso determinou que, nesta fase do processo, não é necessário apresentar prova definitiva da culpa, mas apenas indícios para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri, que julga crimes dolosos contra a vida.

Contexto do Crime

O incidente ocorreu em 30 de agosto de 2023, no Morro do José Menino, em Santos. Durante a Operação Escudo, que visava combater o tráfico de drogas após a morte de um policial, os agentes patrulhavam a área quando avistaram Evandro por uma janela.

De acordo com seu relato, Evandro estava em um banheiro com a porta substituída por uma cortina plástica. Ao ouvir barulhos, ele respondeu sem saber que eram policiais.

Um dos agentes arrombou a janela e disparou, atingindo-o no peito.

Consequências e Reações

Após o ataque, Evandro ficou internado por aproximadamente 45 dias e sofreu várias fraturas, além de ter perdido parte de seu pulmão e do baço devido aos disparos. O relato da vítima inclui que ele permaneceu com um projétil alojado durante a internação.

A Operação Escudo, lançada pelo governo estadual em resposta à violência na Baixada Santista, gerou controvérsia, com críticas de entidades de direitos humanos que questionavam a legitimidade das ações da polícia.

Durante a operação, mais de 28 mortes foram registradas, levando a um apelo para uma revisão das táticas empregadas pelas autoridades.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos publicou um relatório apontando diversas violações durante a operação, evidenciando as disparidades raciais entre os detidos. Além disso, um estudo da Defensoria Pública de São Paulo revelou que 90% das prisões em flagrante não resultaram na apreensão de armas, indicando uma abordagem questionável por parte da polícia.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo