Rio de Janeiro

Aumento de Condomínios no Rio Força Inquilinos a Negociar Aluguel

A Crise dos Aluguel e o Aumento do Condomínio

Quando o sociólogo Danilo Bresciani se mudou para o Edifício Marquês do Herval na Avenida Rio Branco, no final da pandemia, os andares do prédio, com mais de 600 unidades, estavam praticamente vazios. Essa baixa ocupação refletia um cenário mais amplo, ao qual o governo respondeu com incentivos para estimular a ocupação na área central, incluindo a isenção do IPTU.

Bresciani começou a pagar R$ 400 de aluguel e R$ 515 de condomínio. Entretanto, em 2026, o custo do condomínio saltou em 88%, refletindo uma tendência de alta nas taxas condominiais em todo o Centro do Rio de Janeiro.

Segundo a pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio), o Centro teve um aumento de 11,8% nas taxas, superando a inflação de 4,64% do IPCA.

A Influência do Aumento Populacional

O aumento no número de moradores afetou os custos. Bresciani explica que à medida que mais inquilinos se mudaram para o prédio, o consumo de água aumentou, impactando diretamente o valor do condomínio. Além disso, a instalação de biometria e a maior utilização dos elevadores contribuíram para a elevação das taxas.

Os especialistas indicam que a realidade da água e segurança são os principais vilões das contas condominiais.

Em regiões como o Centro, o impacto da conta de água pode chegar a 40% do valor do condomínio.

Dificuldades em Outros Bairros

O Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, também apresentou um aumento significativo, a ponto de condôminos como a jornalista Mariana Neves, de 31 anos, ter que negociar a redução do valor do aluguel com a proprietária para compensar o aumento do condomínio, que atingiu R$ 2 mil.

Na Zona Norte, bairros como Madureira e Méier enfrentam cenários similares. Dados do Secovi-Rio mostram que em Madureira, a taxa de condomínio chega a representar 48,5% do valor do aluguel, necessitando também uma reavaliação por parte dos proprietários.

Medidas de Contenção e Transparência

O aumento do custo de vida tem levado muitos a questionar a necessidade de auditorias nas contas dos condomínios. Rogério Souto, síndico profissional, afirma que os condôminos têm direito garantido pelo Código Civil para fiscalizar as contas e evitar reajustes injustificados.

Ele destaca a importância da participação ativa nas assembleias e no Conselho Fiscal.

Além disso, com a implementação de mão de obra terceirizada em diversos condomínios, os custos podem ser reduzidos. Um exemplo é um prédio na Avenida Pasteur, onde a redução de funcionários fixos ajudou a manter o custo do condomínio em R$ 1.250, mesmo com o serviço de portaria externalizado.

Análise dos Impactos

Com o aumento dos aluguéis — que subiram 18,2% em junho, segundo o Secovi —, muitos moradores enfrentam a dura escolha de deixar os bairros onde construíram suas vidas. Bresciani, que observou o aumento de aluguéis por temporada, relatou a insatisfação entre os inquilinos, que se veem forçados a reconsiderar suas moradias frente a estes novos desafios.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo