Política

Delator do Caso Master Revela Pagamentos ao Fundo ‘Dark Horse’

Revelações sobre pagamentos ao fundo de ‘Dark Horse’

O empresário Antonio Carlos Freixo Junior fez declarações impactantes ao assinar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Em sua delação, Freixo detalhou a realização de sete repasses através de subscrições de cotas para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que financiou o polêmico filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essas transações, que ocorreram entre janeiro e setembro de 2025, somaram um total de US$ 12,333 milhões, equivalente a R$ 62,8 milhões com a cotação da época. A solicitação para essas transferências veio de Daniel Vorcaro, que era o proprietário do extinto Banco Master e foi posteriormente preso em novembro de 2025.

Detalhes da operação

De acordo com Freixo, foi solicitado inicialmente a ele que enviasse cerca de US$ 24 milhões ao fundo por meio de múltiplas subscrições. No entanto, apenas sete transações foram efetuadas. A interação inicial entre Freixo e Vorcaro se deu por meio do WhatsApp, onde Vorcaro solicitou o pagamento, que foi intermediado por Flávio Bolsonaro, senador e candidato à presidência na época.

O último pagamento de US$ 1,666 milhão, feito em setembro, contraria declarações anteriores de Flávio Bolsonaro, que havia afirmado que o último envio de valores ocorreu em maio. Essa discrepância aumentou a especulação sobre os fluxos de dinheiro e seu destino real.

A investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal está à frente das investigações para determinar se todo o valor enviado foi realmente utilizado para o financiamento do filme “Dark Horse” ou se uma parte foi direcionada para outras finalidades, como o apoio financeiro a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Freixo também indicou que além dos pagamentos relacionados ao fundo Havengate, ele realizou outras transferências internacionais a mando de Vorcaro, utilizando sua empresa com sede nas Bahamas. A investigação se concentra também nos possíveis envios de recursos que possam ter ocorrido em paraísos fiscais.

A resposta das partes envolvidas

O advogado de Freixo, Marco Petrelluzzi, optou por não comentar os detalhes do caso devido à natureza secreta da investigação. Por sua vez, a assessoria de Flávio Bolsonaro tem se apoiado nas auditorias da produtora Go Up, que garantiu a regularidade das contas do filme. Porém, a Go Up não divulgou documentos comprobatórios, como notas fiscais, levantando ainda mais questionamentos sobre a transparência financeira do projeto.

Ao longo dessa situação complexa, o impacto nas esferas política e empresarial se intensifica, refletindo um cenário onde a ética e a transparência estão cada vez mais em foco na opinião pública.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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