O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto negou ter matado a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, durante novo interrogatório de mais de oito horas, que ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital, na última segunda-feira (5).
De acordo com a defesa da família da vítima, o acusado falou por aproximadamente 10 horas, dizendo que a perícia realizada no local do crime foi manipulada. O interrogatório foi adiado três vezes antes da data atual. O réu responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual, por ter interferido na cena do crime e no curso do caso.
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A defesa da família de Gisele também comentou que “ele colocou a Gisele como se fosse uma pessoa desequilibrada, violenta e possessiva, que havia o agredido, mas nunca apresentou nenhuma prova”, afirmando que, durante o interrogatório o acusado “tenta lutar contra uma perícia, dizer que a perícia foi manipulada, porque criaram uma máfia, segundo ele, para o incriminar.”
Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, o qual a CNN Brasil teve acesso na sexta-feira (3), concluiu que a soldado Gisele não cometeu suicídio. O documento destaca a “impossibilidade de que Gisele tenha atirado contra a própria cabeça”.
O segundo laudo manteve o mesmo resultado que a documentação anterior e contradiz a versão dos fatos apresentados pelo tenente-coronel. Entre as conclusões, há a incapacidade de Gisele acessar a arma usada no crime que estava em guardada em um guarda-roupa maior que a mulher.
Além disso, foi comprovado, a partir de uma análise, que não era possível visualizar do banheiro o local onde a soldado suspostamente teria cometido o suicídio, contradizendo o tenente-coronel que disse ter visto a esposa tirando a própria vida.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento, no Brás, em 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação passou a apurar a hipótese de feminicídio.
Segundo a acusação, o tenente-coronel teria atirado contra a companheira durante uma discussão e depois alterado a cena para simular um suicídio. Laudos periciais apontaram inconsistências na versão apresentada pela defesa, segundo o Ministério Público.
O oficial também é acusado de ter tentado eliminar vestígios do crime. A investigação identificou vestígios de sangue nas roupas dele e indícios de que teria tomado banho após o crime.
À época, a reportagem acessou trocas de mensagens entre Geraldo e Gisele as quais ele apresentava comportamentos ciumentos e agressivos.





