Crescimento no contrabando de emagrecedores
Dados recentes da Receita Federal revelam uma mudança significativa nas dinâmicas do contrabando entre o Brasil e o Paraguai. O número de apreensões de canetas emagrecedoras tem crescido de forma alarmante, ao mesmo tempo em que o contrabando de cigarros tem mostrado uma queda acentuada.
Em 2025, as autoridades capturaram mais de 27 milhões de cigarros, avaliados em R$ 166 milhões na fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste. Em contrapartida, as apreensões de medicamentos somaram apenas 420 mil unidades, com um valor de R$ 20 milhões.
É importante notar que as canetas emagrecedoras têm se tornado o foco principal das apreensões, refletindo uma mudança na demanda do mercado nacional.
Dados de 2026: um cenário preocupante
No primeiro semestre de 2026, as apreensões de cigarros chegaram a 11 milhões de unidades, avaliadas em R$ 82 milhões, enquanto o volume de medicamentos confiscados atingiu 345 mil unidades, estimados em R$ 36 milhões. As canetas emagrecedoras, especificamente, totalizaram 76.112 apreensões, somando R$ 19 milhões, o que representa mais de 50% do total de fármacos irregulares.
A escalada no contrabando de emagrecedores contrasta fortemente com a desaceleração no tráfico de cigarros, com a Receita Federal relatando uma mudança de foco por parte do crime organizado em busca de maiores lucros com operações mais simples.
A lógica do contrabando lucrativo
De acordo com José Ricardo Bandeira, especialista em segurança pública, a mudança do crime organizado se deve à lucratividade das canetas em comparação com os cigarros. Enquanto um maço de cigarro no Paraguai custa em média R$ 0,40, uma ampola de remédio emagrecedor pode custar até R$ 340 no mesmo país.
Com isso, contrabandear uma pequena quantidade de canetas pode gerar o mesmo lucro que transportar uma carga muito maior de cigarros.
Além disso, a logística necessária para o contrabando de cigarros é muito mais complicada, exigindo veículos e rotas dedicadas, enquanto o tráfico de emagrecedores permite um acesso mais fácil às mesmas rotas utilizadas para armas e drogas.
Desafios para a segurança pública
Os dados da Receita Federal também apontam um aumento significativo nas apreensões de medicamentos como semaglutida e tirzepatida, destacando a crescente demanda por tratamentos de emagrecimento. Em 2025, o preço médio de uma ampola de tirzepatida no Paraguai era de R$ 340, comparado a R$ 1.400 para a mesma substância já registrada no Brasil.
A necessidade de uma resposta efetiva das autoridades é crucial, com especialistas solicitando investimentos maiores em segurança pública para desmantelar essas redes de contrabando, que se tornaram cada vez mais sofisticadas e distribuídas entre países da região.
Sumário das apreensões recentes
No primeiro semestre de 2026, a Receita Federal apreendeu 76.112 canetas e ampolas, com um valor total estimado em R$ 19 milhões. O mês de junho foi particularmente notável, com 25.828 apreensões, avaliadas em R$ 4,3 milhões.
Esse crescimento revela uma mudança dinâmica que precisa ser monitorada de perto pelas autoridades competentes.





