As eleições de 2026 no Distrito Federal (DF) revelam uma mudança significativa no perfil dos eleitores. Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a adesão de jovens entre 16 e 17 anos ao título de eleitor apresenta uma queda alarmante. Em 2022, este grupo contava com 31.307 eleitores, enquanto em 2026 o número despencou para apenas 19.194, evidenciando uma redução de 38,7%.
Essa diminuição representa 12.113 jovens a menos em apenas quatro anos, um reflexo de um desinteresse crescente entre os adolescentes para participar do processo eleitoral. É importante lembrar que, para essa faixa etária, o voto é facultativo, e mesmo aqueles que obtêm o título não são obrigados a justificar uma eventual ausência na votação.
Por outro lado, o cenário se torna mais encorajador entre os eleitores acima de 70 anos. Observou-se um aumento significativo de 31,8% na regularização de títulos de eleitor nessa faixa etária, subindo de 154.327 em 2022 para 203.409 em 2026. Essa tendência sugere que, enquanto os mais jovens se afastam, os cidadãos mais velhos estão cada vez mais engajados e cientes da importância do seu voto.
A relação do jovem com a política tem se mostrado complexa e desafiadora. Vítor Lima, um estudante do ensino médio, compartilha sua decisão de não obter o título de eleitor, mencionando uma percepção de falta de propostas reais e significativas de mudança entre os candidatos. Para ele, engajar-se em um processo eleitoral com candidatos que não ressoam suas aspirações é um exercício em vão.
Por outro lado, Manoel Gomes, avô de Vítor, expressa a importância que vê na participação eleitoral, mesmo aos 85 anos. Para ele, votar é um momento crucial para fazer valer seus direitos, que incluem educação, saúde e condições dignas de vida. Esta diferença de perspectivas entre gerações destaca uma preocupação acerca de como a política é percebida e vivenciada.
Segundo o cientista político Emerson Cervi, a queda na participação dos jovens segue uma tendência histórica e não é uma surpresa total. Ele aponta que, enquanto em 2022 houve um aumento pontual nas inscrições de adolescentes, motivado por campanhas de alistamento e a polarização política, os anos subsequentes têm demonstrado um retorno à média histórica.
Em 2018, por exemplo, 14.538 jovens tomaram a decisão de ir às urnas no Distrito Federal, número que agora parece mais alinhado com os dados de 2026. Para Cervi, a diminuição de adesão observada em 2026 é mais proeminente que a média nacional, que teve uma redução de 22%, o que indica que há questões específicas em jogo na capital federal.
O aumento do interesse entre os eleitores com mais de 70 anos sugere que essa faixa etária está se mobilizando mais em relação aos temas políticos que afetam suas vidas. Cervi afirma que “os temas que interessam aos eleitores variam de eleição para eleição” e observa que o crescimento demográfico entre esse público não necessariamente se reflete em mais candidatos, mas sim em um aumento do engajamento.
Para aqueles que buscam registrar seu título de eleitor ou transferir seu voto, o prazo para solicitar essas mudanças se encerrará em 4 de novembro, após o fechamento do cadastro em 6 de maio. Com as eleições se aproximando, a expectativa é que tanto jovens como idosos revejam sua posição e suas opções dentro do cenário eleitoral.
As mudanças no eleitorado do Distrito Federal ilustram uma transição significativa nas prioridades e no engajamento político. Com a juventude se afastando das urnas e os eleitores mais velhos se mobilizando, o cenário político brasileiro está em constante evolução, refletindo as complexidades sociais e econômicas enfrentadas pela população. O desafio permanece em como conseguir atrair esse público jovem a participar ativamente na construção do futuro do país.




