Operação Fora de Ordem: Alvo em Nova Iguaçu
A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deu início à Operação Fora de Ordem, focando na milícia liderada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão. A operação, deflagrada na manhã de quinta-feira, visa desmantelar uma organização criminosa que tem se mostrado cada vez mais invasiva e violenta na Baixada Fluminense e em municípios vizinhos.
Um dos principais pontos da investigação é a identificação de movimentações financeiras atípicas que ultrapassam R$ 350 milhões, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
A análise dessas movimentações sugere que o grupo não só opera de maneira ilícita, mas também pode estar inserido no aparato estatal por meio de vínculos com agentes públicos.
Dinâmica de Operação e Implicações da Milícia
De acordo com as pesquisas, a milícia de Juninho Varão atua em Nova Iguaçu e áreas adjacentes desde 2013, se consolidando como a principal força paramilitar da região. O grupo utiliza a intimidação e a violência como ferramentas para manter o controle sobre a população, impondo serviços como internet clandestina e venda de gás (GLP).
Para isso, os integrantes da milícia têm funções bem definidas, dividindo-se em núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político. As investigações em curso indicam que os investigados poderão ser responsabilizados por crimes como organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais, entre outros.
Conflitos e Rivalidades
Authorities consideram que Varão, com sua organização maligna, trava uma guerra constante para aumentar o seu domínio territorial, o que inclui disputas sangrentas contra milícias menores na região.
Ele é amplamente reconhecido como o “dono” de Nova Iguaçu e está tentando expandir seu controle para áreas de Seropédica e Paracambi. No horizonte, certamente há indícios de uma intenção de conquistar territórios na Zona Oeste do Rio.
Juninho Varão já enfrenta cinco mandados de prisão e é considerado foragido, tendo ascendido ao poder após a morte de seu antecessor, Ecko, em 2021.
Suspeitas indicam que a milícia também tem se envolvido em assassinatos, um deles sendo um atentado de grande repercussão que ocorreu em Janeiro de 2026, onde um rival dentro do crime organizado foi executado por mais de dez homens armados.
O saldo financeiro movimentado pelo grupo é alarmante, com cerca de R$ 10 milhões circulando apenas entre 2022 e 2023, que são direcionados à compra de armamento e veículos destinados a suas operações criminosas.
A magnitude e a complexidade da atuação da milícia de Juninho Varão não só impactam a segurança local, mas também levantam questões sobre a relação entre crime organizado e política no estado do Rio de Janeiro.





