Cabo Frio

Cerâmica une mulheres quilombolas em projeto em Cabo Frio

Transformando Vidas Através da Arte

Toda quinta-feira, um ônibus percorre comunidades quilombolas de Cabo Frio, unindo mulheres na Casa Scliar. Desde maio, essas participantes têm compartilhado experiências, muito além do simples aprendizado da cerâmica. No trajeto, imersas em conversas e histórias, elas criam novos vínculos enquanto se dirigem para as oficinas.

O projeto “Somos Divas na Luz do Candeeiro”, desenvolvido pelo Instituto Carlos Scliar em parceria com a Prolagos, marca o encerramento das oficinas de 2026. O objetivo central do projeto é unir formação artística e valorização dos saberes quilombolas, promovendo a autonomia das participantes.

Das Mãos à Criação

Na sala da Casa Scliar, a argila se transforma em pratos, canecas e outras peças, enquanto histórias são contadas em um ambiente de aprendizado e troca. Sob a orientação das ceramistas Juliana Cruz e Cristina Ventura, cada mulher encontra seu ritmo para criar segundo suas próprias inspirações.

Além do Aprendizado

Para Cristina Ventura, essa iniciativa vai além de uma simples oficina de cerâmica: “Estamos aqui para fortalecer laços e estimular a criatividade. Essas mulheres compartilham suas trajetórias e, juntos, construímos um espaço seguro onde possam reconhecer suas potencialidades”.

Jussara da Silva, do Quilombo da Rasa, destaca a importância do projeto em sua vida: “Vir para cá se tornou um momento de cura e um espaço para nos encontrarmos enquanto trabalhamos com a argila”, diz, ressaltando os benefícios para sua saúde mental.

Vínculos Forjados no Caminho

Maria Piedade, do Quilombo de Botafogo, recorda que as aulas começavam já no ônibus. As interações no trajeto ajudaram a construir laços que se estenderam além das oficinas. “Estou sentindo falta dessa rotina”, revela, enfatizando o valor da amizade adquirida durante a experiência.

Um Olhar para o Futuro

O projeto, criado em 2020, visa promover a representatividade e independência das mulheres quilombolas, fornecendo habilidades que podem gerar renda.

A edição de 2026 também incluiu o transporte gratuito, eliminando barreiras de acesso para as participantes. Aline Araújo, coordenadora de Responsabilidade Social da Prolagos, destaca a importância do transporte e do apoio ao desenvolvimento local.

Com o término das oficinas, as participantes levarão consigo habilidades aprimoradas e laços formados. Uma confraternização está programada para outubro, onde as peças produzidas serão expostas, celebrando a arte e as histórias que as moldaram.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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