Brasil

Polícia Civil desmantela esquema de fraude de R$ 108 milhões

Operação contra crimes fiscais e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Distrito Federal lançou, na manhã desta quinta-feira (10), uma operação destinada a desmantelar um esquema criminoso que utilizava empresas de fachada para sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de sucatas. Investigadores revelaram que o grupo movimentou mais de R$ 108 milhões ao longo de sua atuação.

Esta ação é liderada pela DOT (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária) e envolve o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo.

Sequestro de bens e valores

A Justiça autorizou o sequestro de bens, direitos e até R$ 56 milhões em valores, que incluem bloqueios em contas de instituições financeiras, investimentos, além de uma aeronave avaliada em R$ 8 milhões, seis veículos luxuosos e um imóvel.

Essas medidas foram tomadas para proteger o patrimônio envolvido na investigação e garantir a possibilidade de ressarcimento ao erário e recuperação de ativos relacionados ao caso.

Crimes investigados e possíveis punições

Os indiciados enfrentam acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária, com penas que podem resultar em até 23 anos de prisão. A investigação teve início a partir da análise de uma autuação fiscal que envolvia uma empresa de fachada em São Paulo, que recebia notas fiscais de uma empresa fictícia do Distrito Federal.

A avaliação financeira revelou uma rede de empresas utilizadas para dar aparência de regularidade a operações irregulares, além de gerar créditos tributários fraudulentos e movimentar grandes quantias de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

Estruturas empresariais suspeitas

Em julho de 2020, a empresa fictícia do Distrito Federal emitiu 49 notas fiscais totalizando mais de R$ 7 milhões para a empresa de São Paulo em um intervalo de menos de 20 dias.

Apesar do alto volume de transações, a uta fornecedora não possuía conta bancária, e o responsável formal pela empresa não demonstrou movimentações financeiras.

A investigação revelou que a empresa de São Paulo, destinatária das notas, recebeu mais de R$ 108 milhões, repassando R$ 107 milhões entre julho de 2020 e julho de 2024. Transferências financeiras entre empresas com sócios ou responsáveis comuns foram identificadas, configurando uma rede destinada a ocultar a origem dos recursos.

Movimentações financeiras também foram detectadas entre pessoas físicas ligadas aos gestores das empresas envolvidas. O uso de holdings e outras estruturas comerciais foi destacado como uma estratégia para disfarçar a origem dos valores e dificultar a rastreabilidade do dinheiro

Com a continuação das apurações, a polícia busca desmantelar completamente a rede e trazer os responsáveis a justiça.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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