Eleições 2026

Quantos votos são necessários para eleger um deputado em GO?

A votação de deputados estaduais e federais em Goiás não segue o mesmo princípio que a eleição para o presidente da República, governadores e senadores, onde o candidato com mais votos é eleito. Em vez disso, a eleição para os parlamentares acontece através de um sistema proporcional. Nesse sistema, as vagas disponíveis são alocadas para partidos e federações, e não diretamente para os candidatos. Isso significa que os votos recebidos por um partido ajudam a eleger os candidatos que obtiverem melhor desempenho, enquanto outros podem não se eleger, mesmo com uma quantidade significativa de votos.

O eleitor tem a opção de votar na legenda do partido ou diretamente em um candidato específico. Portanto, a totalização de votos que um candidato necessita para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) depende de vários fatores, como o total de eleitores aptos e a quantidade de votos nulos ou em branco. Não é possível determinar um número exato de votos necessários antes do pleito, mas é possível fazer uma análise comparativa com o pleito anterior.

O quociente eleitoral é um conceito crucial no sistema de votação proporcional e é calculado pela soma dos votos válidos dividido pelo total de cadeiras em disputa. Para determinar o quociente em Goiás, leva-se em conta o número total de eleitores aptos para votar, que atualmente é em torno de 5,1 milhões. Em comparação, nas eleições de 2022, esse número era de aproximadamente 4,8 milhões. Na última eleição, foram contabilizados cerca de 3,4 milhões de votos válidos.

Dessas 3,4 milhões de votos, Goiás possui 17 cadeiras na Câmara dos Deputados, resultando em um quociente eleitoral de aproximadamente 202,3 mil votos. Para a Assembleia Legislativa, que tem 41 vagas, o quociente eleitoral foi de 82,7 mil votos, o que indica a competitividade e o desafio em alcançar essa marca.

No último pleito, a candidata Silvye Alves, do União Brasil, teve um desempenho excepcional, recebendo 254.653 votos e superando assim o quociente eleitoral individualmente. Gustavo Gayer, do PL, também se destacou com 200.586 votos, embora não tenha conseguido a mesma façanha. Para a Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (União Brasil) ficou abaixo do quociente eleitoral com 73.692 votos, o que demonstra a dificuldade que muitos candidatos enfrentam em garantir uma vaga.

Além do quociente eleitoral, outro ponto de destaque é o quociente partidário, que é o resultado da divisão do número de votos válidos recebidos por um partido pelo quociente eleitoral. O total obtido por essa operação determinará quantas cadeiras a legenda conquistará no total. Os candidatos mais bem votados dentro do partido são também considerados para ocupar as vagas, desde que tenham atingido pelo menos 10% do quociente eleitoral.

Após a definição das cadeiras que cada partido possui conforme o quociente partidário, chega a hora de tratar das sobras de vagas. Essas serão distribuídas conforme a média de votos recebidos por partido ou federação. A média é calculada pela quantidade de votos válidos recebidos dividida pelo quociente partidário, acrescido de 1. O partido que apresentar a maior média, desde que tenha alcançado 80% do quociente eleitoral e possua candidatos que atendam ao mínimo de 20% do quociente eleitoral em suas listas, será o primeiro a escolher uma vaga.

Em caso de empate, leva-se em consideração o partido ou a federação que obteve a maior votação. Persistindo o empate, os votos nominais dos candidatos são levados em conta e, por fim, a idade dos candidatos.

O sistema eleitoral para deputados em Goiás exige dos candidatos mais do que apenas a atratividade pessoal; requer conhecimento estratégico sobre como os votos funcionam em um sistema de representação proporcional. A compreensão do quociente eleitoral, do quociente partidário e da distribuição de sobras é fundamental para aqueles que desejam se eleger e para os cidadãos que buscam entender como suas escolhas impactam na configuração do Legislativo estadual e federal.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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