Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques e Dias Toffoli, não participarão do julgamento da petição contra o ministro Alexandre de Moraes. Durante a sessão realizada nesta terça-feira, Nunes Marques foi o primeiro a se manifestar, declarando-se impedido de julgar o caso. Toffoli, por sua vez, alegou suspeição, afirmando razões de foro íntimo para sua decisão.
Marques, que ocupa o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enfatizou que a Corte vem atuando de maneira adequada, mantendo uma posição de neutralidade em relação às partes envolvidas no processo eleitoral.
Contudo, devido à sua função e ações nas eleições, ele expressou que não se sentia confortável para participar do julgamento.
A situação se torna ainda mais complicada com a revelação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, que envolvem pagamentos e a quantia de R$ 500 mil destinada a Kevin Marques, filho de Nunes Marques. A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete do ministro, que ainda não se pronunciou sobre as apurações relacionadas a essa questão. Kevin Marques, por outro lado, negou ter prestado serviços ao Master e declarou que não recebeu qualquer quantia de Vorcaro.
Nunes Marques afirmou nunca ter conversado com Vorcaro e insistiu que há tentativas de aproximação de magistrados por interesses diversos.
Ele reiterou que seu filho, Kevin, nunca trabalhou ou foi remunerado pelo Banco Master, além de não ter julgado nenhum caso ligado à instituição financeira. Ele comentou que, se tivesse alguma sensação de desconforto ou coação em suas decisões, não teria votado pela confirmação da prisão de Vorcaro e outros envolvidos.
Por outro lado, Toffoli esclareceu que, embora não tenha sido considerado impedido pelos colegas, optou pelo afastamento de forma voluntária. Ele afirmou que estava presente no julgamento, mas decidiu não votar.
O salientar da conduta de Toffoli gerou uma discussão com o presidente Edson Fachin, que foi interrompido quando Flávio Dino fez um pedido de aparte. Gilmar Mendes interveio em defesa de Dino, reivindicando que pedidos devem ser dirigidos ao orador e não à presidência.
O cerne do julgamento gira em torno da decisão sobre a possível abertura de uma investigação contra Moraes. As evidências incluem mensagens de Vorcaro e outros elementos do relatório da Polícia Federal.
Entre eles, estão contratos com o escritório Barci de Moraes, liderado pela esposa do ministro, Viviane Barci, além de encontros registrados entre os envolvidos. As mensagens revelam conversas onde Vorcaro busca ajuda para evitar ações desfavoráveis, incluindo solicitações ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República.
As mensagens alarmantes ocorrem dois dias antes da prisão do banqueiro, onde ele se questiona se precisaria ir embora antes da segunda-feira, dia em que acabou detido. É mencionado na comunicação o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, que assinou o mandado de prisão preventiva contra Vorcaro.
Além disso, um esquema mais abrangente de obtenção de informações sigilosas de diversas agências governamentais pode estar em curso, o que destaca a gravidade do caso em questão.
Em uma resposta protocolada antes da sessão extraordinária, Moraes rebateu as alegações de que sua posição seria uma tentativa de revanche, associando-a a esforços para abalar a democracia. O ministro mencionou metadados do relatório, insinuando que este poderia ter sido elaborado fora do Brasil e da jurisdição da Polícia Federal. Ele desqualificou as conversas como fantasiosas e acusou Mendonça de infringir prerrogativas de sua advocacia, acrescentando mais complexidade ao cenário já tumultuado em torno desse julgamento.





