Eleições 2026

Augusto Cury propõe mudanças nas indicações para o STF

O candidato à Presidência da República, Augusto Cury, do Avante, fez afirmações contundentes nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, sobre a composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Cury, que tem se destacado na corrida presidencial, exigiu que o ministro Alexandre de Moraes explicasse mensagens que teriam sido encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro envolvido em controvérsias relevantes.

Após um encontro na sede da Assembleia de Deus, na zona leste de São Paulo, Cury enfatizou que seu governo não protegerá ninguém, prometendo um tratamento igualitário em relação a todas as autoridades. “É muito triste. Olha, ninguém será poupado no meu governo, nenhum presidente, nenhum ministro. E, se o Alexandre de Moraes deve, ele tem que provar que não deve e, se deve, responder até as últimas consequências”, afirmou ele.

Cury delineou critérios específicos que pretende adotar na escolha dos ministros do STF, uma proposta que inclui a indicação de pelo menos duas mulheres para as próximas vagas disponíveis. Atualmente, a ministra Cármen Lúcia é a única mulher entre os dez ministros em exercício.

“O meu desejo é que os próximos dois ministros sejam mulheres. Pelo menos é o que eu desejo agora”, declarou o presidenciável. Além do foco na representação feminina, Cury exige que os indicados tenham trajetória acadêmica robusta e reputação ilibada.

Ademais, Cury propõe dois critérios que não são exigidos pela Constituição: uma idade mínima de 50 anos e a ausência de filiação partidária nos cinco anos anteriores à nomeação.

Entre suas propostas, Cury destaca que dois terços das vagas disponíveis no STF devem ser preenchidas por magistrados, enquanto duas ou três indicações deveriam vir do Ministério Público e uma de advogados. “Dois terços, o ideal seria ministros com carreira na magistratura. Dois ou três deveriam ser do Ministério Público e um advogado”, pontuou.

Cury também voltou a defender a ideia de um mandato de oito anos para os ministros do STF, ao invés da vitaliciedade vigente, que permite a permanência até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. “Oito anos de mandato, fim da vitaliciedade. Já falei com alguns ministros, inclusive do STF”, revelou.

A composição do STF ganhou relevância na atual disputa eleitoral, visto que o próximo presidente poderá indicar vários ministros durante seu mandato. Uma vaga já está disponível desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, que ocorreu em outubro de 2025.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou indicar Jorge Messias, advogado-geral da União, para esta posição, mas a indicação foi rejeitada pelo Senado em abril deste ano, com 42 votos contra 34. Além dessa cadeira, há três ministros que devem atingir a aposentadoria compulsória durante o próximo mandato presidencial, tornando a definição de novos ministros ainda mais crítica.

Luiz Fux celebrará seu 75º aniversário em abril de 2028, enquanto Cármen Lúcia alcançará a mesma idade em abril de 2029. Gilmar Mendes completará 75 anos em dezembro de 2030. A possibilidade de escolher quatro novos ministros representará uma das maiores renovações na Corte nos últimos tempos.

Com propostas ousadas e uma postura firme, Augustus Cury se posiciona para redimensionar não apenas o STF, mas também para instigar um debate mais profundo sobre a justiça e a governança no Brasil. A forma como a próxima presidência irá lidar com essas nomeações poderá impactar significativamente o cenário político e judiciário do país nos próximos anos.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo