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Grupo de Daniel Vorcaro acessava dados sigilosos, diz PF

Investigações Revelam Estruturas Criminosas

Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que um grupo ligado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, obteve informações sigilosas de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela própria PF. O documento, datado de 27 de fevereiro de 2026 e endereçado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, destaca a atuação de uma organização chamada “A Turma”.

Com uma estrutura paralela, Vorcaro gastava aproximadamente R$ 1 milhão mensalmente para acessar dados sensíveis, intimidar testemunhas e monitorar investigações em andamento. Entre os principais integrantes do grupo, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”, era um dos responsáveis pela coleta de informações.

Operações de Acesso e Uso Indevido de Dados

A PF identificou que Mourão utilizava logins de terceiros para consultar informações em sistemas do MPF, da PF e de outras instituições.

O relatório menciona a prática irregular de obtenção de documentos e a realização de pesquisas sem autorização. Conversas interceptadas mostram a seriedade da operação, incluindo um episódio em que Vorcaro pediu atenção especial a um inquérito da PF, resultando em um áudio do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que confirmava acesso irregular a informações.

Além das consultas a instituições brasileiras, as investigações indicam que o grupo tinha conexões com a Interpol e o FBI, buscando informações que não eram publicamente acessíveis. Mensagens trocadas indicam que Mourão fez pesquisas relacionadas à identidade de indivíduos via esses órgãos internacionais.

Intimidação e Coação na Atuação do Grupo

O relatório também destacou a atuação do grupo em ações de intimidação e coerção, utilizando violência física como meio para silenciar pessoas que poderiam ser testemunhas contra Vorcaro.

Segundo a PF, as mensagens apreendidas revelam planos de agressões e a mobilização de pessoas armadas para intimidar indivíduos ligados às investigações.

O Banco Master, que enfrentou uma crise financeira apontada pelo Banco Central, foi liquidado em novembro de 2025. As investigações culminaram na prisão de Vorcaro e Mourão, sendo este último encontrado posteriormente após tentativas de suicídio enquanto estava sob custódia. A Operação Compliance Zero se iniciou em 2024, com o objetivo de investigar fraudes bilionárias associadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, revelando um esquema complexo de corrupção e violação da lei.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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