Na sessão desta terça-feira, 15 de setembro de 2026, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Luiz Fux, protagonizaram um intenso debate sobre a presença de delegados da Polícia Federal (PF) nos gabinetes, além da situação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A proposta de afastar Rodrigues ganhou destaque, com Gilmar criticando a ideia, comparando-a ao afastamento do “diretor da NASA” e afirmando que tal medida causaria “vexame” a uma instituição que já enfrenta dificuldades significativas.
Gilmar Mendes expressou sua preocupação em relação ao impacto de um afastamento na PF, ressaltando que isso seria como pedir que um funcionário “se algemasse” antes de assumir a responsabilidade por suas ações.
Ele pediu para que durante momentos de pressão, os envolvidos buscassem reflexão e moderação nas decisões.
O ministro Luiz Fux contrapôs a posição de Mendes, apontando que a situação atual na PF gera um clima de animosidade entre seus membros e os ministros do STF. Fux argumentou que o afastamento de Rodrigues representaria uma questão de “responsabilidade judicial”, ao indicar que existiam indícios de desvio de finalidade na condução da PF.
Fux afirmou que “o que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário” e citou um documento apócrifo que evidenciaria tais desvios.
Ele se referiu a um relatório usado por Moraes no inquérito das fake news, o qual continha acusações de que Mendonça teria interferido nos procedimentos da PF.
Os ministros também deliberaram sobre a possibilidade de abrir uma investigação contra Moraes, envolvendo mensagens de Daniel Vorcaro e outros elementos presentes no relatório da PF. As mensagens revelam tentativas de bloquear determinações desfavoráveis e indicam envolvimentos questionáveis com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Entre os conteúdos das mensagens, Vorcaro se mostrava preocupado com uma prisão iminente, questionando se seria necessário estar “fora” até o dia em que foi efetivamente preso, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A discussão se aprofundou ao revelar um suposto esquema de obtenção de informações sigilosas de órgãos como o Banco Central, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Comissão de Valores Mobiliários. Tais evidências levaram Moraes a acusar Mendonça de ações motivadas por vingança e tentativa de minar a democracia.
Moraes ainda mencionou que o relatório em questão possivelmente foi elaborado fora da PF e citou metadados como prova de que o documento seria fictício. Além disso, defendeu que as alegações de Mendonça violaram prerrogativas da advocacia, complicando ainda mais a situação.
A tensão entre os ministros reflete a complexidade das relações institucionais no Brasil, onde investigações, política e Judiciário se entrelaçam em um ambiente cada vez mais polarizado.





