Nos últimos meses, as favelas do Rio de Janeiro tornaram-se cenários de um novo tipo de violência, com o uso de drones por facções criminosas para lançar explosivos em disputas territoriais. Os ataques, amplamente divulgados pela reportagem do programa Fantástico, incluem bombas improvisadas que têm causado pânico entre os moradores.
Os ataques alcançaram níveis alarmantes, atingindo veículos e até festas infantis. Recentemente, um episódio aterrorizante envolveu uma festa para crianças, resultando em ferimentos para duas delas e um adulto.
Em outra ocorrência, um morador foi atingido por estilhaços gerados por uma explosão.
As bombas utilizadas são confeccionadas com materiais disponíveis, como tubos de PVC, cacos de vidro e pólvora, e são projetadas para causar máxima destruição. Em uma das explosões, um ataque que destruiu parte de uma casa ilustra a gravidade da situação, que deixou os moradores em estado de constante medo. Uma moradora relatou: “A gente vive com muito medo mesmo dentro do nosso quintal.”
A situação é ainda mais crítica quando se considera que as explosões têm se tornado mais frequentes.
Os moradores, que não estão envolvidos nas disputas entre facções, expressam sua angústia e desespero com a crescente violência.
As forças policiais têm tentado mitigar os problemas introduzidos pelo uso de drones. As autoridades estão cientes das estruturas construídas nas comunidades para impedir o lançamento de explosivos, mas essas estruturas também dificultam o trabalho de monitoramento policial. O delegado Marcos Mota explica que telhados foram erguidos para fazer essa proteção, mas isso pode gerar outros desafios para a segurança pública.
Casos como o de dois homens recentemente presos por operarem drones para ataques em comunidades sublinham a realidade sombria desse fenômeno.
Eles estavam usando os drones para bombardear rivais e também para monitorar atividades criminosas, o que destaca a adaptação dos traficantes às novas tecnologias disponíveis.
O uso de drones por grupos criminosos não se limita apenas a lançamentos de explosivos, mas também se estende ao monitoramento de atividades policiais e rivais. A preocupação com a segurança aéreas aumentou em face dos relatos de aproximações perigosas entre drones e aeronaves em operação, o que poderia resultar em tragédias.
As autoridades de aviação civil têm tentado gerenciar essa nova realidade, e esforços estão sendo feitos para melhorar a segurança nas rotas aéreas.
O governo federal começou a abordar essa questão, destinando drones e equipamentos antidrones para as forças policiais. Marcos Mota, da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas, enfatiza a necessidade de entender e antecipar os novos desafios que a criminalidade pode apresentar, já que a realidade dos drones nas favelas se impõe como um novo fenômeno no combate ao crime organizado.





