ECONOMIA

Empresas em compasso de espera: impacto das eleições de 2026

A frase “Vamos esperar a eleição passar” tem se tornado uma constante nas conversas de negócios no Brasil, refletindo a crescente cautela das empresas em um cenário marcado pela incerteza eleitoral. A disputa que se aproxima, marcada para outubro de 2026, já está influenciando decisões empresariais, mesmo antes da abertura das urnas.

Uma pesquisa realizada pela Resenha Company, entre 10 e 17 de agosto, revelou que uma impressionante maioria de 87,5% dos empresários e executivos consultados sente impactos das eleições no planejamento de seus negócios. Entre as consequências mais notáveis está o adiamento de decisões tanto por parte das empresas quanto por clientes e fornecedores.

O levantamento envolveu cem empresários e executivos de alto escalão da comunidade Resenha. Dentre os participantes, 39,1% afirmaram que clientes ou fornecedores estão postergando decisões devido à incerteza do clima político. Por sua vez, 28,1% indicaram que suas próprias empresas aguardam o resultado das eleições antes de traçar novos rumos.

No entanto, nem todos estão paralisados: 20,3% dos entrevistados optaram por antecipar investimentos para evitar a incerteza que caracteriza o período eleitoral. Esse comportamento, embora contraditório, indica que as eleições estão configurando um novo calendário para as ações empresariais.

A expectativa de um compasso de espera pode impactar a atividade econômica ao reduzir ou adiar investimentos, contratações e pedidos nos próximos meses. A escolha de preservar caixa em vez de avançar com expansões reflete o desejo de cautela em relação ao futuro.

Questionados sobre suas expectativas para o período de setembro a dezembro, 34,4% dos empresários indicaram que não esperam avanço significativo; a prioridade para esse grupo é manter a estabilidade ou gerenciar uma possível retração.

Embora 28,1% esperem um crescimento no faturamento, a expansão do número de funcionários foi mencionada apenas por 3,1% dos entrevistados, sinalizando uma resistência em assumir novos custos fixos a curto prazo.

Apesar do clima de cautela, os empresários não esperam uma deterioração drástica da economia. Ao serem questionados sobre a perspectiva de fechamento do ano, 42,2% dos participantes se mostraram neutros em relação ao futuro. Apenas 37,5% se disseram otimistas ou muito otimistas, enquanto 20,3% se mostraram pessimistas.

Além das eleições, dois fatores estão impulsionando a reavaliação do planejamento das empresas: a alta dos juros e a implementação da reforma tributária. Entre as preocupações que surgiram na pesquisa, 64,1% dos empresários destacaram a adaptação às novas normas tributárias como a principal prioridade. Logo depois, 53,1% mencionaram a pressão de juros elevados e custo do crédito, e 43,8% a dificuldade em repassar preços devido à nova estrutura tributária.

Adicionalmente, o custo de insumos e as variações cambiais foram citados por 32,8%, enquanto a escassez de mão de obra qualificada foi mencionada por 23,4% dos participantes.

Vinicius Chechinato, fundador, sócio e CEO da Resenha Company, analisa que os dados mostraram que os empresários não estão completamente paralisados, mas se tornaram mais seletivos nas decisões. Ele observa: “Ele não está paralisado, mas fazendo escolhas mais calculadas num cenário que combina reforma tributária, juros elevados e eleições no mesmo semestre”.

A pesquisa revela que a expectativa em relação ao resultado eleitoral e suas repercussões sobre a política fiscal e econômica a partir de 2027 já estão influenciando as decisões empresariais de 2026. Quando decisões sobre investimentos, contratações e planos são adiadas para “depois da eleição”, a incerteza política impacta diretamente o ritmo da economia real, ressaltando a importância da estabilidade política para o crescimento sustentável.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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