Operação e Apreensões
A perícia da Polícia Civil de São Paulo revelou falhas nos lacres de 27 dispositivos eletrônicos apreendidos durante uma operação contra a produtora do filme ‘Dark Horse’, em junho de 2026. Essa operação ocorreu em residências e empresas vinculadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, também responsável pela empresa Go Up Entertainment.
A investigação se concentra na suspeita de fraude em um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, destinado à instalação de wi-fi gratuito na cidade. Os documentos do inquérito, compartilhados com a Polícia Federal, foram tornados públicos após a decisão do ministro do STF, Flávio Dino, de retirar o sigilo.
Lacres Mal Fechados
Os laudos periciais indicaram que os lacres estavam inadequadamente fechados, permitindo a retirada dos dispositivos sem violar a segurança. De acordo com a perita criminal Viviane Menezes, o vão nos lacres era suficientemente grande para permitir a passagem de cabos de alimentação e transferência de dados.
Foram identificados problemas em 9 notebooks, 5 celulares e 13 pen drives, levando à devolução dos aparelhos para que fossem lacrados corretamente, garantindo a preservação da cadeia de custódia. Após a readequação, esses dispositivos ficaram esperando análise devido ao alto volume de casos na delegacia responsável, o que atrasou a perícia.
Consequências da Irregularidade
A situação gera preocupações sobre a integridade dos dados contidos nos dispositivos analisados, uma vez que não há confirmação se a perícia avaliou se os aparelhos foram violados. Apesar de os dados terem sido extraídos e encaminhados à delegacia, as falhas nos lacres levantam dúvidas sobre a validade das provas coletadas.
O caso suscita questões sobre a eficácia dos procedimentos de lacração e armazenamento de evidências, fundamentais para a condução de investigações, especialmente em casos de grande relevância pública, como a análise de fraudes associadas a um contrato municipal.
O Contrato de Wi-Fi e o Filme
O projeto inicial de instalação de 5 mil pontos de wi-fi na periferia até junho de 2025 tem sido criticado, uma vez que apenas 3.200 pontos foram instalados até agora, e ao menos três aditivos foram feitos alterando as datas de entrega do serviço.
Além disso, a investigação aposta que uma parte dos recursos desse contrato pode ter sido desviada para financiar a produção do filme ‘Dark Horse’, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O desenrolar deste caso deve ser observado de perto, dado seu impacto potencial na política e na administração pública.





