O Destino da Fortuna em Bitcoin
Cinco anos após sua prisão, Glaidson Acácio dos Santos, também conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”, continua cercado de mistérios em relação à fortuna na G.A.S. Consultoria. Os depoimentos obtidos pelo programa Fantástico revelaram detalhes sobre o funcionamento da empresa, que movimentou mais de R$ 38 bilhões, conforme informações da Polícia Federal.
No centro dessa situação delicada está uma carteira digital, ou “cold wallet”, que guarda chaves para acessar milhões em criptomoedas e está mantida em um cofre da Polícia Federal. Durante seu depoimento, Glaidson afirmou que a quantia na carteira poderia saldar débitos com os credores, mas admitiu que não lembrava a senha de cabeça.
Funcionamento da G.A.S. e Estrategias de Captação
Antes de sua detenção em 2021, Glaidson captou recursos oferecendo rendimentos atrativos de 10% ao mês e apelou para o conceito de “baleia”, uma referência a investidores que detêm grandes volumes de criptomoedas e podem influenciar o mercado. Ele declarou que, ao se tornar uma “baleia”, manipulava os preços e operava em conjunto com outros investidores.
Estima-se que a G.A.S. captou entre US$ 200 milhões a US$ 300 milhões, majoritariamente por meio de contratos individuais. Ele também ressaltou que a falta de uma regulamentação específica no mercado de criptomoedas contribuiu para suas operações.
Desdobramentos Legais e Dinâmica Familiar
Mirelis Diaz Zerpa, co-fundadora da G.A.S. e esposa de Glaidson, foi também implicada nas investigações. Após ser detida nos EUA, ela foi deportada para o Brasil e negou as acusações de envolvimento direto na operação. Ela sustentou que sua função era de pesquisa e trading, porém o Ministério Público a acusa de ser parte integrante do esquema fraudulento.
A lista dos credores da G.A.S. contém mais de 77 mil pessoas e empresas, com dívidas que somam quase R$ 3 bilhões. Uma investidora relatou ter vendido bens pessoais e contraído empréstimos em busca de retornos financeiros que nunca vieram.
Os Desafios da Recuperação
Mesmo após a prisão de Glaidson, o fluxo de criptomoedas continuava, levando o Ministério Público Federal a investigar transações que resultaram na movimentação de 4,5 mil bitcoins, avaliado em mais de R$ 1 bilhão. Mirelis admitiu ter feito retiradas, mas alegou que eram com dinheiro próprio.
A defesa de ambos os acusados insiste na inocência e contesta as alegações do MPF, afirmando que as operações eram legítimas e que a interrupção dos pagamentos aos credores se deu por ordens judiciais, não por fraude. A recuperação dos ativos permanece um desafio, e o futuro financeiro de milhares de credores hinge na lembrança de uma senha.





