Eleições 2026

Nunes Marques Reúne Embaixadas para Defender Urnas Eletrônicas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, se reunirá nesta segunda-feira com cerca de cem representantes de embaixadas no Brasil. Este encontro visa reforçar a defesa das urnas eletrônicas e abordar a utilização de inteligência artificial (IA) nas próximas eleições.

De acordo com informações oficiais, a representação diplomática dos Estados Unidos estará presente, apesar de não contar com um embaixador formal no país. A Embaixada dos EUA, sob a liderança da diplomata Kimberly Kelli, encarregada de negócios interina, deverá enviar um representante, embora o TSE ainda não tenha confirmado se será a própria Kelli.

A expectativa é que Nunes Marques reitere seu compromisso em defesa das urnas eletrônicas. Em uma reunião anterior realizada em junho, o ministro já havia informado 25 representantes diplomáticos sobre a segurança e confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Esta posição tornou-se especialmente relevante após comentários do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que propagou dados infundados sobre as urnas, gerando reações firmes do TSE.

O Tribunal ressaltou que as urnas eletrônicas representam um “patrimônio do povo brasileiro”, sublinhando a importância do sistema para a democracia do país. Durante o encontro, estão previstos detalhes sobre planos de contingência para mitigar o impacto negativo de deepfakes e desinformações geradas por IA nas campanhas eleitorais.

Nestes tempos em que a desinformação se alastra, o TSE busca estabelecer precedentes claros. Nos próximos dias, a Corte analisará um caso significativo envolvendo um vídeo produzido por IA que apresenta uma simulação do ex-presidente Jair Bolsonaro declarando apoio a seu filho. Essa análise poderia influenciar diretamente a aplicação de resoluções que proíbem deepfakes nas campanhas.

A realização desta reunião surge após a Embaixada dos EUA ter procurado o TSE para discutir a participação de integrantes do governo americano em visitas futuras. No entanto, uma audiência prevista não aconteceu devido ao recesso do Judiciário. Além disso, dias antes, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do governo norte-americano, alegando preocupações com a liberdade de expressão no contexto eleitoral.

Paralelamente à reunião programada, o TSE tem iniciado uma série de encontros com diplomatas sobre as Missões de Observação Eleitoral (MOEs) internacionais que acompanharão as Eleições Gerais de 2026. Organizações como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia (UE), o Parlamento do Mercosul (Parlasul) e a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) participarão destas discussões.

Recentemente, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), União Europeia, Estados Unidos e até Cuba visitaram o TSE para debater a situação. Um encontro mais recente, realizado na quinta-feira, incluiu membros da equipe da Embaixada dos EUA, como Ray R. Sudweeks e Sean R. Smith, demonstrando a presença ativa dos EUA na discussão de questões eleitorais no Brasil.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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