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EUA: família de americana morta por agente do ICE abre processo contra governo Trump

A família de Renee Good, uma americana morta a tiros por um agente do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis em janeiro, entrou nesta quinta-feira, 1º, com duas ações na justiça federal contra o governo Donald Trump e contra o policial responsável pelos disparos. Os processos acusam as autoridades de negligência, uso excessivo de força e violações de direitos civis.

Good foi morta em 7 de janeiro, durante uma ampla operação de fiscalização migratória que mobilizou milhares de agentes federais no estado de Minnesota. Ela estava dentro de seu carro quando foi atingida por três disparos feitos pelo agente Jonathan Ross. O episódio, registrado em vídeo, desencadeou protestos e ampliou as críticas às operações migratórias do governo Trump.

“O que aconteceu conosco nunca deveria acontecer com nenhuma família”, disse a companheira de Renee, Becca Good, em uma declaração divulgada por sua equipe jurídica. “Nenhuma criança deve crescer sem uma mãe por causa disso. Ninguém deve perder sua irmã ou sua filha. Ninguém deveria ter que viver sem sua alma gêmea.”

As ações, apresentadas a um tribunal federal de Minnesota, acusam Ross de ter se colocado deliberadamente em uma situação de risco ao permanecer na trajetória do carro de Renee e, em seguida, de ter recorrido à força letal sem justificativa.

Uma das ações sustenta ainda que a morte de Renee foi consequência de uma operação de imigração em Minnesota marcada por uma suposta discriminação racial inconstitucional contra as comunidades somali e hispânica. “Ela foi morta em uma via pública, enquanto fazia o que milhares de seus vizinhos faziam naquele inverno: observava homens mascarados e armados aterrorizando sua comunidade e se recusava a desviar o olhar”, descreveu o processo.

A segunda ação tem o governo dos Estados Unidos como réu e foi apresentada com base em uma lei de 1964 que permite a familiares buscar indenização por mortes atribuídas à negligência de agentes ou funcionários públicos.

Entenda o caso

Renee dirigia por um bairro residencial de Minneapolis, a apenas 1,6 km de onde George Floyd foi assassinado pelo policial Derek Chauvin em maio de 2020, quando foi morta. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, é possível ver que ela acelera quando agentes, de maneira agressiva, se aproximam do seu carro. Em seguida, um deles saca uma arma e dispara através da janela, que estava abaixada, na direção do rosto da mulher.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) alegou que Renee “tentou atropelá-los (os agentes) e os atingiu com seu veículo” em um “ato de terrorismo doméstico”, o que teria levado o policial do ICE a agir em legítima defesa. O vídeo, no entanto, mostra o contrário: Good dirigia seu SUV para o lado oposto ao de Ross, sem que ele estivesse na mira.

Quem era Renee Good

Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos, era uma poetisa premiada e, segundo membros da comunidade local, estava no local como observadora legal da atuação dos agentes de imigração. Mãe de três filhos, a cidadã americana havia se mudado para Minneapolis há pouco tempo, vinda de Kansas City, no Missouri.

Renee estudou escrita criativa na Old Dominion University em Norfolk, Virgínia, e ganhou um prêmio de graduação da Academia de Poetas Americanos pela obra “Sobre Aprender a Dissecar Fetos de Porcos”, em 2020. No mesmo ano, ela se formou na Faculdade de Artes e Letras da universidade, com diploma em inglês.

“Quando não está escrevendo, lendo ou falando sobre escrita, ela faz maratonas de filmes e cria arte bagunçada com sua filha e seus dois filhos”, dizia sua biografia no edital do prêmio, que aparentemente foi removida, mas foi citada pela imprensa americana.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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