A defesa de Victor Lima Sedlmaier, suposto integrante do grupo de hackers ligado a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, protocolou um pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando a revogação de sua prisão preventiva. Este pedido foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso, e representa a segunda tentativa de soltura de Sedlmaier, que já havia solicitado a liberdade anteriormente em 22 de maio.
Victor Lima é descrito pela Polícia Federal (PF) como um membro do grupo conhecido como “Os Meninos”, que atuava como um braço especializado em ataques cibernéticos, invasões de dispositivos eletrônicos, desativação de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal. Ele foi detido no dia 16 de maio após ser deportado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e sua prisão faz parte da 6ª fase da Operação Compliance Zero.
Na nova petição, a defesa de Sedlmaier declara que ele deseja prestar novos esclarecimentos à Polícia Federal e ficar à disposição para colaborar com as investigações. Os advogados solicitam que a PF agende um novo depoimento e notificações à Procuradoria-Geral da República (PGR) para formalizar a intenção de colaboração.
É importante ressaltar que a defesa enfatiza que a manifestação não deve ser interpretada como uma proposta formal de delação ou uma confissão de culpa.
Embora expressem disposição para dialogar sobre possíveis acordos, a defesa alerta que qualquer negociação deve ser tratada em um ambiente reservado.
Além de solicitar a revogação da prisão, a defesa salienta que, segundo a legislação brasileira, a necessidade da prisão preventiva deve ser reavaliada a cada 90 dias. Como esse prazo já foi ultrapassado, os advogados argumentam que o juiz responsável deve analisar se ainda existem fundamentos que justifiquem a manutenção da prisão à luz de novas evidências.
Os advogados também argumentam que o risco de Sedlmaier obstruir a investigação é baixo, uma vez que todos os itens relacionados a ele, como celular, SSD e documentos, já foram apreendidos e estão sob análise da polícia.
Eles também destacam que não há nenhuma acusação contra ele referente ao uso de violência, ameaças a testemunhas ou tentativas de obstruir a justiça, além do fato de que ele deixou o país com um passaporte válido e sem ordens de prisão vigentes.
Caso o ministro André Mendonça não concorde com a soltura de Victor Lima Sedlmaier, a defesa sugere que a prisão preventiva seja substituída por medidas cautelares, como a imposição de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de deixar o país e a exigência de apresentação periódica à Justiça. Segundo a petição, Victor está disposto a cumprir essas condições, caso seja necessário para sua liberação.
A situação de Victor Lima Sedlmaier é emblemática não apenas pela sua conexão com um esquema de crimes cibernéticos, mas também pelo envolvimento de figuras do sistema financeiro e pelo reflexo que isso pode ter sobre as práticas da justiça no Brasil, especialmente em casos que envolvem tecnologia e infrações digitais.





