Críticas da Intelis sobre o Relatório da PF
A Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) criticou neste sábado (5) o conteúdo de um relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal. O documento foi citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em uma decisão que indicava um suposto “viés político” do ministro André Mendonça na condução de investigações.
Em uma nota pública, a Intelis destacou que o conteúdo divulgado “não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência.” Esta doutrina orienta a produção de conhecimentos no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência e busca garantir a integridade e a precisão das informações.
Uso do Relatório nas Decisões do STF
O relatório da PF ganhou destaque após seu uso por Moraes em uma decisão. O magistrado questionou a condução de investigações sob relatoria de Mendonça, citando trechos que mencionavam avaliações sobre um suposto direcionamento das apurações e o alegado “viés político” do relator.
Importante ressaltar que a Intelis não mencionou diretamente Moraes ou Mendonça em sua nota, evitando entrar no mérito das investigações.
A crítica da entidade se concentra na utilização inadequada de relatórios de inteligência nas decisões judiciais.
Defesa da Atividade de Inteligência
Segundo a Intelis, a atividade de inteligência de Estado “não se confunde com investigação criminal” e não deve ser utilizada como ferramenta para formação de um juízo acusatório. A produção desses documentos deve seguir rigorosos procedimentos para garantir a objetividade e a impessoalidade das informações.
A associação alertou sobre os riscos decorrentes da falta de clareza em relação aos limites da atividade de inteligência, mencionando que a ausência de uma legislação abrangente pode levar a uma “confusão perigosa” entre as atividades de inteligência, atividade policial e persecução penal.
Proposta de Marco Legal
A Intelis aproveitou a oportunidade para defender a análise do PL 6.423/2025 pelo Congresso Nacional. Este projeto de lei visa estabelecer um marco legal para a atividade de inteligência no Brasil, definindo competências, limites e mecanismos de controle necessários para a atuação das agências de inteligência.




