
Disputa Eleitoral Empolgante no Peru
Com mais de 95% das urnas apuradas, a corrida presidencial no Peru entre Roberto Sánchez, do partido de esquerda, e Keiko Fujimori, da direita, permanece indefinida. Atualizada às 23h58 de Brasília, a contagem do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) mostra Sánchez com 50,116% e Fujimori com 49,884%.
Virada na Apuração
No início da tarde da segunda-feira (8), o cenário estava favorável à Keiko Fujimori, que liderou a apuração por horas. No entanto, conforme as seções eleitorais nas áreas rurais começaram a ser contabilizadas, a situação mudou rapidamente, permitindo que Sánchez tomasse a dianteira.
Primeiro Turno e Contexto Político
No primeiro turno, realizado em abril, Fujimori conquistou 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 12%. O país enfrentou marcas recordes de candidatos, com 35 nomes na disputa, refletindo uma fragmentação política significativa.
Instabilidade Governamental
O Peru vive um período de instabilidade com nove presidentes nos últimos dez anos. O cientista político Lucas Berti aponta que as dificuldades de governabilidade se devem à deslegitimação das instituições, onde presidentes eleitos enfrentam desafios constantes em suas administrações. “Nos últimos anos, a fé na democracia caiu drasticamente, com índices de confiança abaixo de 10%”, explica.
Desconfiança Crônica nas Instituições
O Latinobarómetro revela que 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, resultando em uma desconfiança crônica no sistema democrático. Esse fenômeno é exacerbado pela constante mudança de partidos e pela falta de lealdade dos candidatos.
Cenário Legislativo e Mudanças Recentes
Uma mudança marcante foi a restauração do sistema bicameral, com a Câmara dos Deputados e o Senado, após décadas de um congresso unicameral. Este novo arranjo aumenta as exigências para a destituição de presidentes, exigindo a aprovação de ambas as câmaras.
Impacto da História Recentemente
O retorno ao sistema bicameral também marca uma mudança desde o autogolpe de 1992 de Alberto Fujimori, que resultou no fechamento do Congresso e na imposição de uma nova Constituição. Essa reforma traz um novo gás para as instituições peruanas, porém as sombras do passado ainda pautam a política local.
Conclusão
Com uma disputa acirrada e um eleitorado cético quanto à estabilidade política, o desfecho da eleição de 2026 é incerto. Tanto Sánchez quanto Fujimori representam visões opostas para o futuro do país, e todos os olhares estão voltados para uma definição que poderá moldar o futuro do Peru.





