Uma aluna trans de 18 anos, identificada como Daiany Louise, foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas no Centro Educacional 02, conhecido como Centrão, em Taguatinga, no Distrito Federal. O ataque, que ocorreu há uma semana, não só se limitou a agressões físicas, mas também incluiu ofensas transfóbicas direcionadas à vítima.
Imagens capturadas por celulares mostram um tumulto em que duas alunas brigam, enquanto um policial do Batalhão Escolar tenta intervir. Em meio à confusão, uma terceira jovem se junta ao confronto e agride Daiany. Essas cenas, que se tornaram virais nas redes sociais, estavam acompanhadas de mensagens de ódio e transfobia.
Após o incidente, a Polícia Militar, que estava presente na escola, rapidamente levou todas as envolvidas para a delegacia. A direção do colégio confirmou que uma das agressoras era aluna da unidade no dia do ataque, mas já foi transferida. A outra jovem, embora já tenha estudado na instituição, não estava mais matriculada e entrou na escola vestindo o uniforme da própria instituição.
O CED 02 atende jovens e adultos em três turnos e possui cerca de 40 estudantes que utilizam o nome social. A direção da escola enfatizou seu compromisso contínuo com o acolhimento e o respeito à identidade de gênero dos alunos, o que, segundo eles, incentivou Daiany a retornar aos estudos na instituição.
A situação é alarmante, dado que os registros de crimes relacionados à homotransfobia cresceram 18% no Distrito Federal ao longo de dois anos. Em 2023, foram registrados 342 casos, subindo para 362 no ano seguinte, e chegando a 405 registros no ano passado. Os tipos de ocorrências mais frequentes entre janeiro de 2023 e março de 2026 refletem um padrão preocupante de discriminação e violência.
Especialistas em gênero e raça enfatizam que esses números sublinham a importância do papel das instituições educacionais no acolhimento e na prevenção de incidentes de violência. A educação deve ser uma ferramenta vital para identificar e combater o preconceito antes que ele se manifeste em formas mais agressivas.
Daiany, que iniciou sua transição de gênero aos 12 anos, relata que, devido ao medo do preconceito, passou parte de sua adolescência fora das salas de aula. Contudo, aos 17 anos, encontrou a Educação de Jovens e Adultos como uma oportunidade para voltar a estudar e seguir seus sonhos.
Ainda após o ataque, Daiany afirma que não pretende abandonar seus estudos, demonstrando uma coragem admirável diante da adversidade.
O evento trágico e a crescente incidência de violência motivada pelo preconceito destacam a necessidade urgente de mudanças sociais e educacionais que garantam um ambiente seguro e acolhedor para todos os alunos, independentemente de sua identidade de gênero.





