Política

Filme Dark Horse de Bolsonaro gera controvérsias no mercado

Investigação do financiamento de Dark Horse

O inquérito da Polícia Federal sobre o filme Dark Horse trouxe à tona novas revelações sobre o orçamento do longa que traça a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto, que recebeu recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se objeto de investigação após ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) serem cumpridas. Embora o documento não comprove o uso dos fundos, os detalhes levanta suspeitas sobre irregularidades no financiamento.

A planilha de custos revelar o cachê do protagonista, Jim Caviezel, estipulado em US$ 4 milhões, cerca de R$ 20,48 milhões.

Este valor levanta questões sobre o retorno potencial do investimento, especialmente considerando os padrões do mercado audiovisual brasileiro.

Comparações com outros filmes e atores

Profissionais da indústria cinematográfica analisaram os números apresentados e consideram o cachê exagerado, especialmente em comparação com atores como Robert Downey Jr. e Joaquin Phoenix, que receberam valores similares em produções de grande sucesso. Essas comparações são ainda mais preocupantes quando se leva em conta a condição atual do cinema no Brasil, que tem experimentado uma queda significativa na audiência desde 2019.

Os especialistas argumentam que a proposta de arrecadação do filme, estimada em até US$ 100 milhões, é otimista e não se sustenta quando proferida em contextos de outros filmes de sucesso que também lidam com histórias de figuras públicas, como as biografias sobre líderes políticos conhecidas mundialmente.

Expectativas e desafios no mercado atual

Além dos desafios orçamentários, a divisão de custos dentro da produção de Dark Horse gerou críticas, especialmente quanto à distribuição de recursos entre diferentes etapas da realização do filme.

A proposta de alocar 34,7% do orçamento para a pós-produção foi vista como pouco convencional e desconsultada para uma obra que não depende de grandes efeitos visuais.

Os analistas destacam que o filme não parece ter apelo suficiente fora do Brasil e, portanto, a estratégia atual pode trazer grandes riscos tanto financeira quanto artisticamente. A trajetória de Jim Caviezel, que viveu um de seus papéis mais icônicos em ‘A Paixão de Cristo’, não garante, por si só, o sucesso em um projeto focado em um ex-presidente polêmico como Bolsonaro.

Um projeto em análise e sob suspeita

Parece claro que a produção de Dark Horse enfrenta uma série de desafios, desde sua viabilidade econômica até questões éticas em torno de seu financiamento. As hipóteses sobre o uso do investimento e as prospectivas de arrecadação continuam sendo discutidas, já que a atenção do público que é frequentemente atraído por narrativas épicas não se alinha perfeitamente à história de Bolsonaro, cujo apelo é mais restrito.

À medida que a investigação prossegue, a atenção se volta não apenas para os aspectos financeiros da produção, mas também para as implicações que essas decisões podem ter no cinema nacional e na percepção pública sobre figuras políticas em filmes de projetos futuros.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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