Política

Eleição de 2026 deve credenciar um novo presidenciável para 2030

Nem sempre funciona, mas líderes populares às vezes transferem seu capital eleitoral e seu manancial de votos para neófitos em campanha, conhecidos pelo apelido de “postes”. Em 2010, Lula, recordista de popularidade no fim de seu segundo mandato, conseguiu eleger como sucessora a ex-ministra Dilma Rousseff, estreante em disputas. Em 2012, já como ex-presidente, ele fez do ex-ministro da Educação Fernando Haddad prefeito de São Paulo.

Tão popular quanto Lula, Jair Bolsonaro seguiu a mesma estratégia. Seu poste mais famoso é Tarcísio Gomes de Freitas, um servidor público de carreira que foi alçado ao posto de ministro da Infraestrutura na gestão do capitão e depois escolhido por ele para concorrer ao governo de São Paulo em 2022. Na ocasião, venceu Fernanda Haddad no segundo turno por mais de dez pontos percentuais de diferença — cerca de 2,5 milhões de votos.

Neste ano, Tarcísio de Freitas deve conquistar a reeleição. Segundo as pesquisas, pode liquidar a fatura até no primeiro turno. Confirmada vitória, ele se credenciará para voos mais altos, independentemente do aval da família Bolsonaro. Governadores de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, são quase sempre considerados presidenciáveis. Alguns deles concorreram à Presidência, como José Serra e Geraldo Alckmin, mas nenhnum venceu após a redemocratização.

Tarcísio de Freitas pode tentar quebrar essa escrita. Ele já era o nome preferido de expoentes do Centrão, do mercado financeiro e do empresariado para enfrentar Lula este ano, mas foi preterido pelo capitão e não contestou a opção dele por Flávio Bolsonaro. O governador pagou, assim, a fatura que devia. Se for reeleito, mostrará luz própria e condições para concorrer ao Planalto em 2030.

Até lá, muita coisa pode acontecer. Qualquer previsão feita hoje tem o valor de uma nota de três reais. Mesmo assim, no mundo dos políticos, Tarcísio, com a perspectiva de dois mandatos de governador, é visto como um forte candidato à Presidência nas próximas eleições. E com algumas vantagens na comparação com o bolsonarismo: tem fama de técnico, não é refém da polarização, apesar de algumas recaídas, e não depende única e exclusivamente do antipetismo para conquistar votos. Não é pouca coisa num país cansado de guerra.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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