Temperaturas Baixas no Centro-Sul
O início de setembro de 2026 trouxe temperaturas frias em várias regiões do Brasil, especialmente no Centro-Sul. O Sul, em particular, vivenciou um frio intenso e até geadas. Essas condições climáticas ocorrem enquanto o fenômeno El Niño se fortalece no Oceano Pacífico1.
Esta combinação, embora pareça contraditória, tem explicações baseadas em meteorologia e climatologia.
A previsão do tempo foca nas condições atmosféricas para os dias seguintes, enquanto a previsão climática avalia tendências para períodos mais longos. Assim, a presença do El Niño pode aumentar a probabilidade de certos padrões de temperatura e precipitações em uma estação, mas isso não elimina a possibilidade de eventos atmosféricos que trazem mudanças bruscas.
Impactos das Massas de Ar Frio
No início de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) destacou a presença de uma frente fria no Centro-Sul, resultando em quedas acentuadas nas temperaturas, mesmo em um período em que as médias climáticas tendem a ser mais altas. Isso significa que, apesar de um mês indicado como quente pelo prognóstico, episódios de frio intenso ainda podem ocorrer2.
A previsão do Inmet para setembro indica temperaturas acima da média na maior parte do Brasil, com exceção do Sul, onde os desvios são mínimos.
Regiões como o Centro-Oeste e Sudeste também devem registrar temperaturas dentro da média, mas com potenciais elevações em Minas Gerais e Espírito Santo.
El Niño e Suas Projeções para o Futuro
O El Niño atual, confirmado em junho de 2026, está projetado para durar até pelo menos o início de 2027, apresentando altas anomalias na temperatura da superfície do mar. O Painel El Niño 2026-2027 aponta 100% de probabilidade de que o fenômeno alcance a categoria de muito forte nos próximos meses, com impactos distintos em diferentes regiões do Brasil3.
No entanto, a influência do El Niño na chuva e temperatura não é uniforme. Apesar da tendência geral de temperaturas elevadas, há previsões de quedas bruscas de temperaturas em setembro devido à incursão de massas de ar frio.
Estudos indicam que a Região Sul poderá ter chuvas acima da média, o que sugere um aumento na disponibilidade de água e uma mitigação do risco de geadas tardias, mesmo que não exclua novos episódios de frio.
Conclusão: Frio e El Niño em Sintonia
Assim, a presença de frio em setembro não contradiz a intensificação do El Niño. O fenômeno atmosférico que se intensifica no Pacífico interage com as condições climáticas locais, gerando oscilações de temperatura que podem surpreender, mesmo num contexto de aquecimento previsto. A previsão é de que o Brasil continue a vivenciar períodos de frio, mesmo com a tendência de temperaturas mais altas ao longo dos próximos meses.





