Política

Mulheres são minoria em campanhas presidenciais de 2026

Desigualdade de Gênero nas Campanhas Eleitorais

Apesar de representar mais de 52% do eleitorado no Brasil, as mulheres ainda enfrentam uma significativa sub-representação nas equipes dos principais candidatos à Presidência nas eleições de 2026. Um levantamento revelou que, dos cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, a maioria das funções estratégicas é ocupada por homens.

A análise inclui as equipes de Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Embora Flávio Bolsonaro tenha a maior representação feminina, com 10 mulheres em sua equipe, isso ainda representa apenas 38% do total de cargos de liderança.

Renan Santos e Ronaldo Caiado possuem 6 mulheres cada, enquanto Romeu Zema conta com 5 e Augusto Cury só inclui 4. Essa falta de diversidade é alarmante, pois as mulheres são fundamentais para a formulação de estratégias e para propor políticas que atendam especificamente ao público feminino.

A Importância da Participação Feminina

A participação de mulheres na formulação de propostas é crucial, especialmente quando se considera que muitos candidatos prometeram melhorias nas áreas que afetam as mulheres diretamente. O presidente Lula, por exemplo, propõe continuar o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, enquanto Flávio Bolsonaro foca em iniciativas como o plano “Brasil por Elas”.

Além disso, Zema e Cury também abordam questões femininas em suas propostas de segurança e saúde, refletindo uma necessidade de criar um diálogo mais efetivo com esse eleitorado. Contudo, mesmo com essas iniciativas, a maioria das funções executivas continua em mãos masculinas.

Sub-representação Política

A escassez de mulheres nas campanhas não é apenas um problema de relações de trabalho, mas também um reflexo da sub-representação nas candidaturas. Em 2026, apenas duas das 13 candidaturas à Presidência são de mulheres, uma queda significativa em relação a anos anteriores.

No âmbito estadual, o cenário é semelhante, com apenas 16,4% das candidaturas sendo de mulheres. Para o Senado, essa porcentagem é de 21,9%. Os dados mostram que, embora haja um avanço em cargos de vice-presidente e vice-governador, as mulheres ainda estão sub-representadas nas posições principais.

Conclusão

A ausência de mulheres em posições de comando nas campanhas presidenciais e nas candidaturas em si evidencia um longo caminho a ser percorrido em direção à igualdade de gênero na política brasileira. É fundamental que, além de propostas voltadas às mulheres, haja uma maior inclusão delas nos processos decisórios para que as políticas públicas refletem verdadeiramente as necessidades desse importante segmento da população.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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