Política

Operação da PF investiga desvio de R$ 750 mil em filme sobre Bolsonaro

Investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”

A Polícia Federal (PF) está investigando um possível desvio de recursos públicos, totalizando pelo menos R$ 750 mil, relacionados à produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa ação ocorre em meio a um amplo desdobramento, onde a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em um inquérito que envolve tanto a produtora do filme, Go Up Entertainment Ltda., quanto o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

A produtora Karina Gama, que está à frente do projeto, e Frias têm sido elos chave na investigação, que busca esclarecer como verbas públicas federais provenientes de emendas parlamentares foram alocadas para financiar o longa. Os mandados foram cumpridos em locais estratégicos, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e o Distrito Federal.

O fluxo suspeito de recursos

Documentos apontam que o deputado Mario Frias, que além de parlamentar é produtor executivo do filme, utilizou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Gama. Desses, um milhão foi destinado ao ICB de forma inicial, com parcelas direcionadas a empresas ligadas a Heric Fabiano Dias, cujas atividades levantaram suspeitas de simulação e possíveis fraudes em contratos.

O relatório da PF destaca um repasse significativo de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment, o que levanta questionamentos sobre a legitimidade dos serviços prestados e a real destinação dos recursos públicos envolvidos. Durante o período de filmagens, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, a produtora teria registrado movimentações financeiras incomuns, somando R$ 19.033.071,00, chamando a atenção dos investigadores.

Defesa e alegações de irregularidades

Em vídeo recente, Mário Frias se manifestou contra a operação, classificando as ações da PF como uma “cortina de fumaça” e negando qualquer tipo de irregularidade. Ele se comprometeu a colaborar com a investigação e a fornecer toda a documentação solicitada, alegando que acredita na rápida conclusão do caso sem maiores consequências.

Além de Frias, outros parlamentares, como Marcos Pollon e Bia Kicis, são alvos de investigação por terem assinado emendas parlamentares destinadas ao ICB, com valores que totalizam R$ 1,15 milhão. No entanto, esses valores não teriam sido efetivamente pagos. As investigações reverberam em diferentes níveis, já que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, sempre refutou qualquer uso de dinheiro público na produção.

Contexto e consequências legais

A operação, identificada como “Make Up”, recebeu autorização do ministro Flávio Dino, que, como relator de processos no Supremo Tribunal Federal (STF), está diretamente envolvido nas investigações sobre irregularidades relacionadas ao uso de emendas parlamentares. Como resultado, o deputado Mario Frias está sujeito a várias restrições, incluindo a proibição de deixar o país e de contatar outros investigados.

Com as implicações que essa investigação pode trazer para o cenário político e cultural do Brasil, o desfecho ainda é incerto, mas os impactos podem se estender muito além das telas.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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