Novos dados da pesquisa Quaest, realizada a pedido da TV Globo e do jornal O GLOBO, revelam uma divisão entre os brasileiros a respeito da interferência estrangeira nas eleições de 2026. O estudo mostra que 45% dos entrevistados acreditam que há uma possibilidade real de países estrangeiros interferirem nas eleições, enquanto 48% não veem essa chance. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado é considerado um empate técnico.
A preocupação em relação à interferência estrangeira é especialmente forte quando se menciona os Estados Unidos, que figuram como a nação mais citada no imaginário popular. De acordo com a pesquisa, 57% dos entrevistados acreditam que, caso houvesse tal interferência, a direita seria a principal beneficiada. Somente 22% acreditam que a esquerda sairia favorecida, enquanto 5% afirmam que ambos os lados teriam apoio igual, e 16% não souberam ou não quiseram responder.
A pesquisa reflete um clima de incerteza nas relações do Brasil com os Estados Unidos, especialmente desde a gestão do ex-presidente Donald Trump. O último ano foi marcado por uma série de tensões diplomáticas, incluindo a imposição de tarifas comerciais e a inclusão do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas pelos EUA, o que gerou descontentamento no governo brasileiro e alegações de politicagem por parte da oposição.
Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, um ato que pode ser interpretado como um sinal de tensões crescentes entre os dois países.
Aliados do presidente Lula (PT) expressaram preocupação sobre possíveis ações de interferência por parte dos EUA no processo eleitoral brasileiro. Em um episódio relevante, o Itamaraty negou o pedido de visto para dois diplomatas americanos ligados ao trumpismo, que havia manifestado interesse em observar o processo eleitoral. Tal movimento poderia, na prática, servir para questionar a credibilidade do sistema de urnas eletrônicas adotado no Brasil.
A pesquisa da Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 12 e 15 deste mês. Com um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral com o número BR-06773/2026. Estes dados constituem uma importante contribuição para o debate sobre as eleições de 2026, levantando questões cruciais sobre a integridade do processo eleitoral e a influência de atores externos.
À medida que o país se aproxima das eleições de 2026, é fundamental monitorar a dinâmica das relações internacionais e suas potenciais repercussões sobre a política interna brasileira. O debate sobre a influência estrangeira nas eleições é mais relevante do que nunca, especialmente em um contexto global onde a política e a segurança estão em constante evolução.
Os dados sobre a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições, assim como a percepção do público sobre o papel de diferentes atores internacionais, serão fatores críticos a serem considerados pelos envolvidos no processo eleitoral nos próximos anos.





