Mais da metade dos eleitores brasileiros acredita que as decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são mais influenciadas por interesses pessoais do que pela legislação em vigor. Essa é a conclusão inquietante da pesquisa realizada pelo instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026.
A pesquisa mostra que 51,6% dos entrevistados concordam com a afirmação de que os ministros do STF decidem mais por interesse próprio. Em contraste, apenas 10,9% discordaram e 23,9% se mostraram indecisos, afirmando não concordar nem discordar.
Complementarmente, 13,6% dos participantes não souberam ou não quiseram responder.
O sentimento de desconfiança em relação à mais alta corte do país é palpável, pois a pesquisa também explorou a confiança da população no STF. Os dados revelam que 21,3% dos participantes afirmam não ter nenhuma confiança na instituição, enquanto 28,4% afirmaram ter pouca confiança. Além disso, 31,2% reportaram ter alguma confiança, mas apenas 7,3% dos entrevistados relataram ter muita confiança na corte.
A pesquisa ocorre em um momento de crise institucional sem precedentes vivida pela Suprema Corte do Brasil.
Eventos recentes, como o vazamento do inquérito da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, intensificaram os questionamentos sobre a ética e a transparência no funcionamento da corte.
Com a grave acusação de que os ministros estão priorizando interesses pessoais em detrimento da justiça, essa percepção negativa pode afetar não só a imagem do STF, mas também a relação do Judiciário com a sociedade brasileira.
O instituto Meio/Ideia realizou a pesquisa entre 4 e 7 de setembro de 2026, ouvindo 1.500 pessoas acima de 16 anos. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, tanto para mais como para menos, e conta com um índice de confiança de 95%.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/2026 e foi contratada pelo próprio instituto, o que garante sua autonomia e integridade metodológica.
A insatisfação manifestada pelos pesquisados levanta importantes questões sobre a credibilidade e a legitimidade do STF, especialmente em um momento crítico da política brasileira, onde as expectativas da população em relação à justiça e à lei são constantemente desafiadas e testadas.





