Julgamento de Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa
Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa, envolvidos no assassinato do contraventor Fernando de Miranda Iggnácio em 2020, enfrentarão um júri popular no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital, que considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, motivado por uma disputa territorial pelo controle de pontos do jogo do bicho.
O Ministério Público aponta Rogério como o mandante desse assassinato. Ele é sobrinho de Castor de Andrade, uma figura icônica na história do jogo do bicho no Brasil e considerado uma das maiores lideranças contraventoras do país. A interação complicada e violenta entre esses grupos de contraventores tem suas raízes nas disputas de poder que remontam à morte de Castor, em 1997, que desencadeou uma série de confrontos internos.
Atividades criminosas e combate às organizações
Na acusação, Rogério também é descrito como líder de uma organização criminosa que vem operando desde 2018, envolvendo atividades como exploração do jogo ilegal e lavagem de dinheiro. Para tomar controle dos pontos de jogo deixados por Iggnácio, ele ordenou a execução do contraventor a seu braço direito, Márcio Araújo de Souza, conhecido como “Araújo”. O assassinato foi realizado sob vigilância direta de Gilmar, encarregado de monitorar a rotina da vítima.
O dia do crime e as implicações legais
Em 10 de novembro de 2020, Fernando Iggnácio foi assassinado a tiros de fuzil ao desembarcar de um helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. Com a ocorrência do crime, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva dos réus, que permanecerão em custódia até o julgamento. A Justiça também indicou que o júri será formado por sete jurados, que serão selecionados por sorteio.
A denúncia inclui acusações de homicídio qualificado, com motivos torpes e uso de meio cruel, além da atuação de grupos de extermínio. Essa violência desenfreada por conta da contravenção revela um aspecto sombrio do jogo do bicho no Brasil, que frequentemente culmina em tragédias familiares e confrontos armados entre facções rivais.





