Geral

PF mira TCP por venda de fuzis e lavagem de mais de R$ 100 milhões no RJ | CNN Brasil

A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (7), a Operação Magen contra um grupo suspeito de vender armas de uso restrito, vazar dados sigilosos da segurança pública e lavar mais de R$ 100 milhões para o TCP (Terceiro Comando Puro), a facção que atua no Complexo de Israel, na zona Norte do Rio.

Até o momento, cinco pessoas foram presas e duas são consideradas foragidas, entre elas o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. A ação conta com a participação do PMRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro).

Elefante-marinho aparece em praias da zona sul do Rio de Janeiro

Justiça condena líder do TCP por tráfico e aliciamento de menores no Rio

Câmeras flagram trio suspeito de furtar carros de luxo no Rio; 3 são presos

Ao todo, são cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, além de Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. Também foram determinadas medidas cautelares contra investigados ligados à estrutura financeira do grupo, incluindo o uso de tornozeleiras eletrônicas.

Segundo as investigações, conduzidas pelo GISE (Grupo de Investigações Sensíveis) da PF e pelo GAESF (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal) do MPRJ, o grupo mantinha uma estrutura voltada à compra, transporte e venda clandestina de armamentos. Entre os materiais comercializados estavam fuzis de uso restrito, pistolas, revólveres, carregadores e munições.

Em uma das negociações identificadas pelos investigadores, os suspeitos teriam fornecido dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança da facção que atua no Complexo de Israel. A apuração também aponta que armas e equipamentos policiais eram utilizados como forma de pagamento ou comissão pelas transações.

A organização contava ainda com a participação de agentes da segurança pública, entre eles um policial civil e um policial militar da ativa, além de ex-policiais. Conforme a PF, os envolvidos utilizavam acessos funcionais a sistemas restritos para obter e repassar informações sobre mandados de prisão, endereços, veículos e operações policiais.

Os dados seriam utilizados para alertar integrantes da organização sobre ações das forças de segurança e também para viabilizar investigações clandestinas, extorsões e outras atividades criminosas.

Ainda de acordo com a investigação, o dinheiro obtido com os crimes era incorporado ao sistema financeiro por meio de empresas de fachada e contas de pessoas físicas e jurídicas. Em quatro anos, o grupo teria movimentado mais de R$ 100 milhões, valor considerado incompatível com os rendimentos declarados pelos investigados.

Os envolvidos foram denunciados pelo MPRJ e poderão responder por organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais. As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes e aprofundar a apuração sobre a atuação financeira e logística do grupo.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo