Política

Polícia de SP Investiga Financiamento do Filme ‘Dark Horse’

Investigação sobre o Financiamento

A Polícia Civil de São Paulo está investigando a movimentação financeira do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment, que produziu o filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde maio de 2026, a polícia tem solicitado acesso a dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a fim de esclarecer se os recursos públicos recebidos pelo ICB foram desviados para custear a produção do longa-metragem.

As solicitações da polícia, que incluíram ao menos quatro pedidos de acesso aos relatórios de inteligência financeira, estavam pendentes na Justiça de São Paulo. No entanto, em decisão recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu retirar o sigilo do caso e autorizou o acesso às informações requisitadas.

Contexto do Instituto e da Produtora

Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICB e da Go Up Entertainment, é uma figura central nesta investigação. O Instituto conheceu um aumento significativo de recursos através de emendas parlamentares, além de contratos com o poder público. A produção do filme, que teve custos estimados entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, foi realizada em inglês, com uma equipe de Hollywood, o que levanta questionamentos sobre a origem dos fundos utilizados.

A Polícia Civil expressou preocupações a respeito de possíveis desvios de recursos do programa WiFi Livre SP, que poderiam ter sido utilizados para financiar o filme. A investigação sugere que Karina pode ter usado contas de empresas subcontratadas e outras organizações sociais que administra para ocultar a origem desses valores.

Desdobramentos e Análises Legais

Um relatório policial revelou que existem “consistentes suspeitas” sobre a confusão patrimonial entre as contas de Karina e as operações do ICB, indicando um potencial desvio de verbas públicas. O Tribunal havia anteriormente negado pedidos de acesso a informações, alegando que as solicitações eram subjetivas e não especificavam adequadamente as operações financeiras relevantes.

Em resposta à decisão do STF, a defesa de Karina elogiou a transparência proporcionada pela queda do sigilo, afirmando que isso ajudará a esclarecer os fatos com objetividade. A espera agora se concentra no acesso às informações financeiras e no desfecho desta investigação que envolve questões de finanças públicas e produção cultural no Brasil.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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