Por: Maria Eduarda Sá
As publicações podem resultar em punições e multas para os veículos.
Resultados de uma pesquisa do Instituto Veritá continuam circulando em sites e páginas de Mato Grosso, apesar da decisão da Justiça Eleitoral que suspendeu o levantamento. A decisão apontou irregularidades nos dados e determinou a retirada do conteúdo publicado.
A pesquisa ouviu 1.220 eleitores entre 20 e 24 de setembro e mostrou um cenário bem diferente de outros institutos, que colocam Otaviano Pivetta atrás de Wellington Fagundes e para o Senado José Medeiros na terceira ou quarta posições, a depender da soma dos votos.
A diferença dos cenários de outros institutos não era por acaso. O TRE-MT identificou 30 registros duplicados e outras inconsistências na amostra, que comprometiam 26% das entrevistas.
Porém, mesmo após a suspensão, a pesquisa segue sendo reproduzida por páginas e veículos de comunicação de forma irregular. Conduta que pode trazer consequências para quem divulga as informações.
Punições previstas
O Tribunal Superior Eleitoral entende que a divulgação de uma pesquisa irregular pode caracterizar ilícito independentemente do alcance da publicação. A regra também se aplica à reprodução por veículos de comunicação ou ao compartilhamento de material publicado originalmente por terceiros.
Entre as possíveis consequências estão a determinação de retirada do conteúdo e a aplicação de multa eleitoral, prevista pela Lei das Eleições para casos como a divulgação de pesquisa sem o prévio registro exigido. Veículos que republicarem o levantamento também podem ser responsabilizados, mesmo quando reproduzem material divulgado anteriormente por outro órgão. A Resolução TSE nº 23.600 prevê ainda a possibilidade de multa pelo descumprimento.
A depender do conteúdo e das circunstâncias, pode haver também apuração de ilícito eleitoral ou até de crime, especialmente em situações de pesquisa fraudulenta.
Precedentes do Veritá
O episódio em Mato Grosso se soma a outros casos envolvendo o Instituto Veritá.
Ao longo de 2026, levantamentos da instituição foram alvo de ações nos tribunais eleitorais de diversos estados, com decisões que apontaram problemas na composição das amostras, nos questionários e até nas bases de dados utilizadas. A Justiça Eleitoral anunciou que houve pesquisas barradas em 13 estados e no Distrito Federal. Na maioria dos casos, o instituto teve que pagar multas.
No caso do Mato Grosso, a insistência em divulgar pesquisa suspensa por irregularidades pode resultar em multas e denúncias também contra os perfis, que devem sofrer restrições da Meta. O DCO apurou que já há dezenas de denúncias em análise na Justiça Eleitoral sobre essas publicações. Veja a lista abaixo:
1.Verdades de Mato Grosso
2.Folha do Estado Oficial
3.O Empallador
4.Fiquei Sabendo MT
5.Estadão MT
6.Noticias do Mato Grosso
7.CPA Notícias
8.O impresso MT
9.NMT Comunicação


