DESTAQUE, MATO GROSSO

Ineficiência de alto custo: Deputados de MT gastam R$ 10,3 milhões e aprovam apenas quatro projetos no mandato

Levantamento da Câmara mostra os gastos dos oito parlamentares e a situação de propostas apresentadas ou relatadas pela bancada
Os oito deputados federais do Mato Grosso utilizaram cerca de R$ 10,3 milhões da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) desde o início da atual legislatura, em 2023. No mesmo período, apenas quatro projetos de autoria própria foram aprovados.
O cruzamento dos dois indicadores revela uma relação que chama atenção: o gasto médio da bancada corresponde a aproximadamente R$ 2,57 milhões para cada projeto de autoria própria aprovado.
A comparação estabelece uma relação entre o total utilizado pelos parlamentares para o exercício de seus mandatos e o número de propostas próprias que chegaram à aprovação da Câmara.

Os gastos apresentam diferenças significativas entre os parlamentares. José Medeiros (PL) foi quem mais utilizou a cota, com aproximadamente R$ 1,77 milhão, enquanto Fábio Garcia (União) registrou cerca de R$ 226,3 mil.

A diferença entre os dois chega a aproximadamente R$ 1,55 milhão.

Também aparecem entre os maiores gastos Coronel Fernanda, com R$ 1,67 milhão; Coronel Assis, com R$ 1,61 milhão; Emanuelzinho, com R$ 1,61 milhão; Juarez Costa, com R$ 1,35 milhão; Nelson Barbudo, com R$ 1,22 milhão; e Rodrigo da Zaeli, com R$ 839,9 mil.
A CEAP é destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato, incluindo passagens aéreas, aluguel de veículos, divulgação e contratação de serviços. Os pagamentos são registrados no Portal da Transparência da Câmara.
Quando o critério é a transformação de propostas próprias em projetos aprovados, o desempenho da bancada se mostra bastante limitado. Somente três dos oito deputados conseguiram aprovar projetos de autoria própria, e cinco não tiveram nenhuma proposta própria aprovada no período analisado.

A deputada Coronel Fernanda teve duas propostas de sua autoria aprovadas.

Coronel Assis teve uma e José Medeiros, uma.

No caso de Coronel Fernanda, considerando os aproximadamente R$ 1,67 milhão utilizados em CEAP, a relação é de cerca de R$ 835 mil em despesas parlamentares para cada projeto próprio aprovado.
Coronel Assis, que utilizou aproximadamente R$ 1,61 milhão, teve um projeto de autoria própria aprovado, o que representa uma relação de aproximadamente R$ 1,61 milhão por aprovação.
Já José Medeiros, parlamentar que mais gastou dinheiro público entre os oito, teve apenas um projeto aprovado: o PL 841/2023, que inscreve o nome do ex-senador Roberto Campos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
A aprovação dessa proposta, entretanto, levanta um questionamento sobre a relevância prática do resultado legislativo diante do volume de recursos utilizados no mandato. Trata-se de uma homenagem de caráter simbólico, sem impacto direto comparável ao de projetos que criam políticas públicas, alteram direitos, modificam estruturas do Estado ou enfrentam problemas concretos da população. Sob esse critério, pode-se questionar a relevância da proposta para o país e sua capacidade de representar um resultado legislativo de impacto.

Entre os oito deputados, apenas três tiveram projetos aprovados no período analisado.

Coronel Fernanda teve dois projetos aprovados, enquanto Coronel Assis e José Medeiros tiveram um cada. Os demais parlamentares, Emanuelzinho, Juarez Costa, Nelson Barbudo, Rodrigo da Zaeli e Fábio Garcia, não tiveram projetos aprovados no período.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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