Política

Lindbergh Farias defende o fim dos equacionamentos durante ato dos petroleiros no Rio de Janeiro

O deputado federal Lindbergh Farias, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), participou de um grande ato ao lado de petroleiros da ativa, aposentados e pensionistas, no Centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (25). A categoria reivindica o fim dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) na Petros, um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) integrado para todo o Sistema Petrobrás e uma Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) justa e igualitária, além da continuidade e da ampliação do regime de teletrabalho.

Convocada pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), a manifestação mobilizou caravanas com trabalhadores de diversos estados e reuniu centenas de pessoas em frente ao Edifício Senado (Edisen), atual sede da Petrobras. O protesto ocorre em meio a uma série de pendências que vêm sendo cobradas pelos sindicatos desde o encerramento da greve de dezembro de 2025. A insatisfação ganhou um novo impulso após a Petrobrás apresentar, no início de agosto, propostas consideradas insuficientes pelas entidades sindicais.

O foco principal da mobilização é o fim dos equacionamentos, que continuam impactando no orçamento. Há quase dois anos, os trabalhadores reivindicam uma reunião com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para cobrar o aporte da quantia que a empresa deve ao fundo de pensão da categoria. Eles pedem uma solução definitiva que preserve direitos e elimine ou reduza significativamente os descontos extras que pesam no salário dos trabalhadores e na aposentadoria dos petroleiros. Desde 2018, a Petrobras gera cerca de R$85 bilhões de lucro por ano.

Lindbergh Farias é o principal articulador no Congresso Nacional da reestatização do setor petrolífero brasileiro e defende que empresas e ativos estratégicos privatizados voltem para o controle estatal. “Nosso trabalho busca fortalecer a Petrobras, proteger empregos e garantir que a riqueza do petróleo seja usada em benefício do povo brasileiro. Nós temos que defender a empresa que é o orgulho do Brasil. E hoje eu estou aqui para manifestar meu total apoio à categoria e me posicionar contra os PEDs. A Petrobras tem muito lucro, não é justo jogar o peso nas costas dos trabalhadores que estão aposentados”, defendeu Lindbergh, do alto do carro de som.

O coordenador do Departamento de Aposentados da FNP, Antônio Alves, afirmou que aposentados e pensionistas estão sendo asfixiados pelas cobranças extraordinárias e que não há tempo para aguardar o fim das eleições. “As dívidas e o arrocho nas aposentadorias não respeitam o calendário político. Estamos sendo asfixiados. Essa enrolação afeta diretamente o bolso e o futuro de quem construiu e ainda constrói a maior empresa do país. Nós exigimos respeito, diálogo e valorização real”, enfatizou.

Ainda segundo os trabalhadores, além de não abranger todo o Sistema Petrobrás, o Plano de Cargos, Carreiras e Salários oferecido pela companhia também não corrige as distorções acumuladas entre os atuais planos e regras, de forma que não seria possível garantir a progressão profissional de forma transparente e justa. Em relação à participação nos lucros, a categoria argumenta que a proposta não acompanha o crescimento dos resultados da empresa, congela por dois anos o piso da PLR, estabelece diferenças entre empresas do sistema e exclui os funcionários da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA).

Lindbergh é autor de dois projetos de lei relacionados ao setor petrolífero. O PL 4.875/2025 estabelece o fim da escala 14×14 para embarcados terceirizados. A proposta garante 21 dias de descanso para cada 14 dias trabalhados e vale para todos os empregados do ramo do petróleo. Atualmente, apenas os embarcados diretos da Petrobras têm direito à escala 14×21. “Nós estamos batalhando para que todos os funcionários da Petrobras tenham o mesmo direito. A luta pela escala 14×21 é a mesma da luta do fim da escala 6×1. Trabalhador não pode ser escravizado. A gente conseguiu passar o projeto por todas as comissões, pediu urgência, e agora ele está pronto para ser votado no plenário”, informou o parlamentar, que também protocolou na Câmara dos Deputados o PL 807/2026. A proposta assegura igualdade salarial aos profissionais terceirizados que cuidam da hospedagem, alimentação, limpeza e apoio logístico em alto-mar. Logo após o ato dos petroleiros, o deputado federal marcou presença na festa de 45 anos do Sindicato dos Portuários.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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