Dados alarmantes sobre desaparecimentos no Brasil
Entre janeiro e junho de 2026, 43.828 pessoas foram registradas como desaparecidas, segundo o Painel Estatístico do Sinesp. Esta média alarmante de 242 desaparecimentos por dia é a maior desde o início da série histórica, em 2015, representando 40,92 casos a cada 100 mil habitantes.
São Paulo lidera com 10.449 casos, representando mais de 23% do total nacional, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que somam 4.864, 3.933 e 3.364 registros, respectivamente.
A busca incansável de famílias
A história de Ivanise Esperidião da Silva ilustra a dor de quem vive com a incerteza do desaparecimento. Sua filha Fabiana, desaparecida desde 1995, se tornou o catalisador da luta por justiça.
Ivanise fundou a Associação Mães da Sé, que visa unir famílias em busca de respostas.
A diferença entre ter um parente desaparecido e um que faleceu, segundo Ivanise, é a esperança de reencontro. Enquanto algumas mães acolhem a perda, outras continuam à procura, sem resposta. Após 31 anos, Ivanise mantém viva a esperança e reflete sobre a ausência de continuidade nas investigações, muitas vezes paralisadas após buscas em hospitais e sistemas penitenciários.
A legislação e os desafios da identificação
A Lei da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, sancionada em 2019, exige que as investigações nunca cessem até que uma resposta seja encontrada.
Contudo, essa determinação enfrenta desafios, como a falta de integração nos dados entre os estados.
O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2024, busca reunir informações cruciais, facilitando o cruzamento de dados. Essa iniciativa é vital, pois estima-se que mais de 200 mil pessoas estejam desaparecidas no país, segundo estimativas.
Iniciativas de coleta de DNA
Entre 24 e 28 de agosto de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza a 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA, visando identificar pessoas desaparecidas. Com 342 postos de coleta em todo o Brasil, a iniciativa já resultou na identificação de 112 pessoas desde 2024.
A coleta de DNA, realizada de forma simples e gratuita, é uma ferramenta potente na busca por soluções e reitera a necessidade urgente de um sistema eficaz de identificação.
O desejo por respostas na dor do desaparecimento
Embora 43.828 desaparecimentos representem uma estatística assustadora, cada número é uma vida e uma história não contada.
Para Ivanise e outras famílias, o que mais importa é a resposta, a verdade sobre o que aconteceu. “Nós queremos saber a verdade, seja ela qual for”, conclui Ivanise.
O desaparecimento é um vazio, um eco que clama por paz e por verdade, uma realidade que não pode ser ignorada.





