Enquanto o Brasil vai às urnas neste domingo, 4, em mais uma eleição presidencial, a imprensa estrangeira destaca como a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhou tons severos e dramáticos. A síntese mais ácida dessa cobertura veio da tradicional revista britânica The Economist, que publicou uma análise sob a provocativa manchete: “O próximo presidente do Brasil será um nepobaby vingativo ou um esquerdista decrépito”.
A publicação definiu o pleito como um “concurso de impopularidade” em que a “decepção é garantida”, descrevendo Lula como um líder idoso comparável ao ex-presidente americano Joe Biden e criticado pela indisciplina fiscal, enquanto retrata Flávio como um herdeiro político cuja principal plataforma é indultar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
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Já a agência de notícias francesa Agence France-Presse destacou que “Lula e o primogênito de seu arqui-inimigo”, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, “trocaram ataques sem trégua durante a campanha, embora não tenham se enfrentado em debates cara a cara”.
“Flávio Bolsonaro tenta capitalizar o descontentamento com o governo depois de quatro anos nos quais a direita criticou o presidente Lula pelo aumento do custo de vida e da insegurança”, diz o texto. “O segundo turno, praticamente certo segundo as pesquisas, dará início a outras três semanas de campanha em um contexto de profunda polarização”.
A agência britânica Reuters, por sua vez, afirma que “uma vitória do senador ampliaria uma onda de triunfos de candidatos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por toda a América Latina, enquanto a reeleição de Lula poderia causar dor de cabeça a Washington, que entrou em conflito com o governo dele em questões de comércio e segurança”.
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Essa visão cética sobre o futuro político e econômico do país é compartilhada por outros veículos europeus. O jornal britânico The Guardian destacou em editorial que a escolha dos eleitores brasileiros “afetará o mundo inteiro”, alertando que uma vitória do senador do PL representaria um grave risco para a democracia e para o meio ambiente na Amazônia, além de dar mais fôlego à postura intervencionista de Donald Trump na América Latina.
“O presidente Donald Trump e Marco Rubio, seu secretário de Estado, ficarão ainda mais encorajados em sua ‘doutrina Donroe’ de intervenção agressiva no hemisfério ocidental se o Bolsonaro Jr. for vitorioso”, analisou o editorial.
Na Espanha, a análise do El País ganhou contornos de alerta institucional detalhado sob o título “Brasil, perigo de involução”. O jornal enfatiza que as urnas brasileiras decidirão se a nação continuará avançando como uma potência democrática e regional ou se corre o risco de cair novamente no autoritarismo, exatamente quatro anos após os atentados de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes.
Segundo o diário espanhol, embora o senador se apresente como uma versão mais moderada do pai, sua plataforma é inseparável do clã familiar, destacando, aqui também, a promessa de indultar Jair Bolsonaro. O texto alerta que um triunfo do bolsonarismo sabotaria o papel do Brasil como contrapeso diplomático frente à renovada doutrina de “quintal dos fundos” impulsionada por Washington.
Paralelamente, veículos do continente enfatizam como o escândalo financeiro do Banco Master enredou a classe política e o Judiciário brasileiro, reforçando o desencanto e o cinismo do eleitorado diante dos candidatos. Nos Estados Unidos, o foco das atenções recai sobre a geopolítica e a ingerência externa.
O jornal The New York Times dedicou uma extensa reportagem ao chamado “Fator Trump”, questionando se o presidente americano tentará influenciar o acirrado pleito brasileiro em favor de Flávio e detalhando como as autoridades em Brasília ergueram uma “barreira de proteção” para combater a desinformação e proteger as urnas eletrônicas de ingerências internacionais.





