POLÍTICA

Flávio Dino Determina Proibição de Saída de Mario Frias do País

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), emitiu uma decisão severa nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, que proíbe os 29 alvos de mandados de busca e apreensão da operação Meak Up de deixar o Brasil sem autorização judicial. Essa medida, que se estende a diversos parlamentares e empresários, foi adotada no contexto de investigações sobre irregularidades financeiras envolvendo o deputado federal Mario Frias, do PL-SP.

Dentre os alvos da operação estão não apenas Mario Frias, mas também assessores de seu gabinete e a empresária Karina Gama, que está à frente da produção do filme “Dark Horse”, uma obra que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão do STF não apenas impede a saída do país dos investigados, mas também os proíbe de se comunicarem entre si durante a apuração dos fatos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou indícios de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em uma emenda parlamentar proposta por Mario Frias. A suspeita central é que uma parte deste montante não teve a devida comprovação de utilização pela produtora do filme “Dark Horse”, fato que levou à autorização da operação de busca e apreensão.

A Polícia Federal está realizando esforços investigativos para averiguar se houve a formação de uma “organização criminosa” composta por agentes públicos e privados que, supostamente, direcionava os recursos recebidos para empresas subcontratadas sem a devida comprovação dos serviços prestados. A operação em questão está cumprindo 49 mandados de busca, que estão sendo executados em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

O financiamento do filme “Dark Horse” já é objeto de dois inquéritos tramitando no STF, com um deles sob a relatoria do ministro André Mendonça e o outro focado na análise de possíveis direcionamentos irregulares de emendas. Em março de 2026, Flávio Dino havia demandado que Mario Frias esclarecesse sobre a emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, que é uma ONG associada à produtora do mencionado filme.

Mario Frias, que atuou como produtor executivo do longa-metragem e é conhecido por sua ligação com a gestão Bolsonaro, enviou uma manifestação ao Supremo em maio, na qual negou qualquer irregularidade e defendeu que os recursos tiveram um fim social.

A Polícia Civil de São Paulo também já havia realizado uma operação em junho contra a produtora Go UP Entertainment, responsável pela execução do projeto “Dark Horse”, com foco em suspeitas de fraudes e desvios de dinheiro público. Após solicitações de Dino, a Polícia Civil compartilhou com o STF as evidências coletadas na operação, levantando ainda mais questões sobre a legalidade das operações de financiamento do filme.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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