O procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez uma declaração importante nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), onde a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes estava em pauta. Gonet afirmou categoricamente que não possui uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Em sua fala, Gonet declarou: “Gostaria de deixar isso claro: não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024”. Esse encontro, que envolveu uma degustação de uísque escocês Macallan em Londres, contou também com a presença de figuras notórias como o ministro Dias Toffoli, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A experiência de degustação de uísque, que gerou tanta controvérsia, teve um custo exorbitante de aproximadamente US$ 641 mil, algo em torno de R$ 3 milhões na cotação da época. O vínculo entre Gonet e Vorcaro foi amplamente discutido, especialmente após a revelação de que o ex-banqueiro teria financiado uma viagem do filho de Gonet para Londres em meados de 2025. Além disso, o relato da Polícia Federal incluiu a menção de que Gonet pode ter conversado com Vorcaro por meio de um advogado chamado Ciro Soares.
Após a divulgação do material, que foi trazido à tona pelo ministro André Mendonça, que atuava como relator do caso, Gonet expressou seu alívio ao afirmar: “Fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não havia nada no que foi colhido que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do PGR”.
A sessão do STF não se limitou apenas ao caso Gonet. Durante o julgamento, as tensões aumentaram quando os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça se envolveram em um acalorado debate. Mendes defendeu Gonet com veemência, derretendo-se em indignação ao afirmar que “É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação”. A discussão entre eles rapidamente escalou, com ambos trocando acusações e frases duras.
Enquanto isso, o ministro Flávio Dino interveio e solicitou um pedido de vista, adiando assim a decisão sobre o ministro Moraes e garantindo mais tempo para analisar os documentos. Esse capítulo da sessão ficou marcado pelo placar provisório de 4 votos a 3 contra a análise conjunta dos pedidos de investigação contra Moraes e Mendonça. Os ânimos exaltados levaram inclusive Cármen Lúcia a expressar seu descontentamento com a condução do julgamento, declarando-se “envergonhada” e “triste” pelo momento vivido no STF.
Estas tensões e desencontros no seio do Supremo Tribunal Federal revelam o quão delicada é a situação atual e como a política e os julgamentos podem se entrelaçar de maneira complexa, levantando questões que transcendem as simples relações pessoais e tocam a essência da justiça e da integridade institucional.





