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Movimento sem telas ganha força entre famílias e escolas em todo o país

Longe dos aparelhos eletrônicos, os fins de semana da empresária Natalia Martins ganharam um novo formato dentro de casa. Fundadora do Natalia Beauty Group, um dos maiores impérios de beleza do país, ela decidiu suspender o uso de celular, tablet e televisão nos fins de semana para dedicar mais tempo às filhas, Júlia e Bela. A pausa nos eletrônicos, segundo Natalia, virou hábito familiar e uma forma de recuperar momentos de atenção plena com as crianças, ainda que a rotina exija mais organização do casal no fim de semana.

Empresária e mãe, Natalia concilia a intensa agenda de trabalho com a criação das filhas e afirma que a decisão nasceu da percepção de que o tempo de qualidade estava sendo disputado por notificações e distrações digitais. “Aqui em casa elas estão sem telas. A mais nova não está mais vendo TV, a gente proibiu por um mês, e a Júlia, que tem celular, está sem porque tirou nota baixa em inglês. Escola e notas são coisa séria, então, quando isso acontece, a regra vale para todo mundo. No fim, acabo ficando menos no celular também”, conta Natalia. Sem os dispositivos ligados, os sábados e domingos passaram a incluir brincadeiras, conversas e atividades ao ar livre como prioridade da casa.

A iniciativa de Natalia acompanha um movimento que já é realidade na educação básica brasileira. Em vigor há um ano, a Lei nº 15.100/2025 restringiu o uso de celulares dentro das escolas e, segundo levantamento do Ministério da Educação, já é aplicada por 92% das instituições de ensino do país. Gestores relatam ganhos de atenção e convivência entre os alunos, mas apontam que a regra, sozinha, não resolve os desafios de uma geração que cresceu em contato constante com telas e notificações.

Para Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista na região do Vale do Paraíba, o efeito da restrição também aparece fora da sala de aula. “Quando a tela deixa de ocupar o centro da rotina, a família e a escola conseguem observar melhor como a criança lida com o tempo, com o outro e com os próprios limites”, avalia.

Elen Larissa, orientadora educacional da Rede Adventista, reforça que o desafio não está em eliminar a tecnologia, mas em ensinar seu uso consciente também dentro de casa. “A tela não pode ser tratada só como um problema. O importante é orientar quando, como e por que ela é usada, dentro e fora da escola”, pontua.

Para as famílias, a experiência de Natalia mostra que o equilíbrio começa em casa. Especialistas apontam que a simples retirada do aparelho, sem diálogo ou alternativas, tende a gerar resistência. O que parece funcionar, tanto na escola quanto no ambiente familiar, é a combinação de regras claras com experiências concretas de convivência, movimento e presença, como resume Marizane. “Quando a criança está envolvida em experiências reais, a tela deixa de ocupar o centro do dia, seja na escola, seja em casa”.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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