Desvendando a Lavanderia do Crime
Uma nova fase da Operação Carbono Oculto, nomeada Crédito Oculto, identificou uma movimentação impressionante de R$ 11,6 bilhões no sistema financeiro. Essa quantia estava atrelada a uma gestora de fundos associada ao Banco Master, que foi caracterizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, como uma verdadeira “lavanderia” do crime organizado.
A operação, que se intensificou na manhã de quinta-feira (24), revelou como diversas camadas de ocultação foram utilizadas para disfarçar os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira localizada no interior de São Paulo. Um operador financeiro, vinculado a fintechs, supostamente explorou essa estrutura para facilitar movimentos financeiros ilegais em benefício da organização criminosa.
Os Principais Envolvidos e as Consequências
Para Durigan, as evidências sugerem que a Entre Investimentos, propriedade de Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, serviu como um importante canal para a lavagem de dinheiro.
A empresa foi utilizada para transações relacionadas à usina e para a aquisição de uma distribuidora de combustíveis, ambas vinculadas a atividades criminosas.
O Superintendente Substituto da Receita Federal de São Paulo, Cláudio Ferrer, corroborou essa visão, enfatizando a complexidade da movimentação financeira que passou por diversas contas e fundos de investimento dentro da organização. Mineiro é visto como um operador financeiro próximo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e mantém um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
As Investigações e Medidas Adotadas
A conexão entre as operações do Banco Master e as apurações da Carbono Oculto continua a ser investigada. O Gaeco, em conjunto com a Receita Federal, está realizando ações em diversos estados, incluindo São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, visando elucidar os desdobramentos dessa engrenagem criminoso
Dentre os alvos, destacam-se Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, juntamente com o empresário Mineiro.
A defesa de Freixo optou por não se manifestar até o momento, enquanto o Banco Genial informou que os vínculos de Tupinambá com a instituição foram rompidos em maio de 2026.
Após o início da operação, o Banco Genial renunciou à administração do Fundo Radford e declarou sua intenção de cooperar com as investigações, implementando medidas de governança e controle rigorosos para evitar a repetição de qualquer irregularidade identificada nas investigações.





